quarta-feira, 15 de maio de 2013

Deixa, deixa...

Deixa tudo como está.
Agora, os fatos  se mostram, 
as pessoas tomam formato, 
as conversam perdem o sentido.
Deixa, deixa... 
Que o tempo faz a memória se perder, 
os pensamentos vão para a sala de espera 
e as dúvidas se dissipam.
Não quero mudanças, 
quero tudo como está: apagado, esquecido, quase morto, em coma.
Escondido no limbo, entre o bem e o mal, 
entre o certo e o errado, duvidoso, esquisito.
Deixa tudo como está: mesa posta sem visitas, 
flores e cores para enfeitar não sei o quê, 
casa aberta para o vento.
Deixa que as novidades aparecem, 
e se não surgirem, o passado volta. 
Ele sempre volta...
Deixa que a vida segue assim, 
um curso tortuoso e estranho, 
sem trajeto definido, 
sem saber onde vai dar.
Deixa como está: nivelado, retratado, apagado, flagelado.
Deixa assim, sem história, sem desfecho, sem vontade de contar.
Não quero mudanças, 
quero tudo como está: sem fim, nem começo, sem meios que justifiquem.
Quero o agora como está hoje: sem propósito, sem motivo, 
sem desejo, sem legitimidade.
Deixa como está, que a vida se resolve...
Sozinha, toma um caminho incerto e segue, sem titubear.
Deixa, deixa... 
Não vale a pena se incomodar.



Nenhum comentário:

Postar um comentário