quinta-feira, 22 de junho de 2017

Expectativas

E a gente acha que vai ficar tudo bem e que tudo, no final, dá certo.
Expectativa: é a definição disso.
Eu sei... É preciso pensar de forma otimista, fazer planos, ter projetos.
Assim se vive, certo?
Mas vale lembrar que são apenas expectativas.
Numa madrugada qualquer, uma viagem vira tragédia, 
uma pretensa consulta vira acidente, 
um fim de semana de folga e diversão se transforma em tristeza 
ou um trajeto nunca mais se completa.
É triste assistir, Pior é viver.
Penso e me pergunto: o que valemos?
Não tem preço, não tem valor.
Somos pó e ao pó vamos voltar.
Expectativas?
Fazer o percurso da melhor forma possível: com menos dor e mais amor.
Tarefa fácil? Nem tanto. 
Há dias em que pequenos percalços nos desviam do caminho.
Notícias como as de hoje fazem retomar a rota.
Ame, planeje, viva e construa. 
Mas somos só expectativas de que tudo dá certo no final.
Só não sabemos quando é o fim.

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domingo, 11 de junho de 2017

Sobre o amor e suas verdades.

Não está namorando? Tudo bem.
Vai passar o Dia dos Namorados desacompanhado? Ok. (Bate aqui!)
Mas isso não é motivo suficiente pra se sentir desamparado, certo?
Mais importante que o dia 12 de junho são todos os outros dias do ano, ocupados por todos os outros amores que a vida oferece.
E são tantos amores que recebemos na vida, que seria até injusto se sentir desmerecido...
Amor de amigo que oferece ombro, dá conselho, compartilha alegrias e principalmente os perrengues... 
Amor sem fim de mãe e pai que dá colo e puxa orelha, morde e assopra com tanto carinho, que seria impossível viver sem.
Amor de irmãos, que enchem de felicidade qualquer programa mais ou menos e transformam a solidão em companhia e gargalhadas.
A comida preferida também é uma forma de amor!
Um bom filme e uma música linda também são formatos de amor!
O amor é atenção e apoio. E é sorte receber tudo isso o ano todo!
O amor se multiplica em tudo que é feito com carinho: trabalho e lazer, diversão e compromisso.
E o melhor de todos os amores que se cultiva na vida é o amor próprio!
Permitir-se bons programas, livrar-se de culpas, ser feliz com pequenos prazeres é se amar.
E só pode amar o outro quem se ama primeiro.
Concordo com o poeta que disse que "é impossível ser feliz sozinho." Somos sim parte de uma rede cheia de fios que se entrelaçam e dividem tarefas, funções e sentimentos. E desses sentimentos, para que haja êxito no que for começar,  o amor ainda é fundamental.
Há quem já tenha encontrado a tampa pra sua panela. Há panela que nem tem tampa.
O amor não precisa obrigatoriamente de par. Precisa de decisão. Quando se escolhe pelo amor ele se multiplica nas relações e frutifica.
Feliz Dia do Amor pra quem sabe e pode amar!
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quinta-feira, 1 de junho de 2017

De ontem

Sim, fui lesada.
Descobri sem querer. Mesmo assim, continuava não querendo saber; Recusei a verdade.
Fiquei chateada, quis bater em um.
Mas depois, a sensação de impotência venceu e eu quis mesmo sumir do mundo digital.
Se no dia comum, no sol quente, a gente já está exposto ao risco, imagina então no anonimato da internet?
Você vira mais um número, mais um chip, mais uma conta, mais um contato, um cpf.
Se no tete-a-tete não rola vergonha, medo ou pudor, por trás da tela então, jamais haverá culpa.
E la´fui eu: fazer contestação de crédito, dizer que a conta não é minha, que não fui eu que fiz a transferência e que fui roubada.
O castigo pro crime? É meu. 
Cartão bloqueado, tempo perdido, almoço postergado, senha trocada, confiança abalada, decepção em níveis altíssimos.
Vontade de voltar pra roça e comprar fiado.
Dava certo anotar no caderninho. 
Sem juros, sem enganação. Era só honrar a dívida, que ninguém ia por zeros a mais ou a menos. 
Falando de tempos remotos? Não. De dia desses aí que comprei sem dinheiro, anotei no nome da minha mãe e ficou tudo bem.
Se o aplicativo facilita a vida? Sim, muito. E facilita o roubo.
Fica difícil saber se abraço a tecnologia ou me escondo dela e volto aos meus ancestrais, em tempos mais remotos, de esconder dinheiro embaixo do colchão, visitar os amigos em casa, de não ter roubos digitais.

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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Saudade

Escola.
Sala de aula.
Hoje deu saudade.
Do nada.
Lembrei da sensação
do vento no rosto
 na descida do asfalto
de bicicleta.
Da fila de entrada.
Da fila da merenda.
Do cheiro do amaciante
no uniforme surrado,
Do recreio,
Do som das sax do Kenny G,
Da sirene da saída.
Do sono de ida e de volta,
no ônibus escolar,
Da falta de compromisso
com o mundo.
e o compromisso com a escola.
Quis voltar no tempo.
Mas não deu.
Ficou na saudade.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Eu e o mundo


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Anda o mundo tão louco e eu, escrevendo tão pouco, que ambos estarão pirados, em breve. 
É fato. É Sério!
Preocupa que o Trump construa muros, que a Coreia produza bombas, que a Russia tenha mísseis e que eu, um dia não tenha voz. 
Que eu ouça tudo e engula, no modo mudo, sem pestanejar.
Pelo menos, aqui, sem campo minado, me encontro. 
Digito errado, mas acerto o pensamento e organizo a fala pra, quem sabe um dia, dizer nada sobre isso tudo. E talvez seja só isso mesmo o meu discurso.
Preocupa a reforma trabalhista, da previdência e a incompetência de quem rege tais reformas...
Gente que não pensa no bolso alheio... E eu, tenho receio, mas digo que está tudo errado mesmo, do avesso, ao contrário. Salvem-nos quem puder!
Preocupa o preço que sobe, o salário que desce, e a gente que esquece de reclamar.
Preocupa a falta de tempo, a falta de amigos, o excesso de vícios, o celular.
Preocupa o golpe diário, que caio, por que estão na espreita, me esperando passar.
Sou vítima fácil, me compadeço, solidarizo. Ajudo sem muito pensar.
Mas escrevo que fui enganada, e escrever me consola e tranquiliza.
Fico pronta pra ajudar de novo quem quiser me lograr.
Preocupa que haja tanta guerra e pouca tinta, tanta mágoa e pouca fita pra enfeitar a vida de quem passar.
Preocupa não pensar antes de fazer e o fazer com excesso de pesar.
Ah, como preocupa não saber gostar! Fazer conta de tudo e o dinheiro deixar dominar.
Preocupa o desafino dos casais e os desatinos dos pardais, que voam sem direção... eu fico só a escrever e observar os desencontros que se dão.
Preocupa a mentira que vence e impunidade que cresce, sem que se possa provar.
Preocupa o pouco abraço, relações sem laços, dança sem par. 
Eu continuo escrevendo e cantarolando, tentando seguir a melodia sem destoar.
Vou escrevendo pra lucidez voltar, pra fazer o pensamento fluir e desenrolar.
E eu, fazendo menos que preciso, mais do que posso, o tanto que consigo, ainda faço nada neste mundo cheio de coisas por fazer...
Mas vai escrevendo, continua... que assim, a vida não vira fofoca, as histórias viram lembranças, as pessoas ficam pequenas e os sentimentos se agigantam.
Preocupa que falte o ar em breve e ninguém possa ler o que eu deixo. Por isso, propago sem medo, que escrevo sem planejar.
Que o mundo anda tão louco e se eu, continuar escrevendo pouco, vou o mundo acompanhar.

Dos verbos

Um amigo disse-me noutro dia que despedir era não pedir (des-pedir). 
Que analisando a palavra, parecia não haver sentido no ato. 
De fato: não pedir? Pra quê? Pra quem?
Pensei então: e se o verbo correto fosse expedir? E nós, nessa pressa de sempre, nos fazendo de surdos, deixássemos um fonema ser trocado por outro, assim, displicentemente, sem perceber, e quando nos déssemos conta, teríamos apenas a despedida, e a expedida não faria mais parte do nosso roteiro...
Expedir, então, verbo transitivo direto, seria o real "fazer partir" com destino e fim determinado. 
Se houvesse pressa, faria prontamente, despachava, promulgava, daria resolução, soltava e proferia, e pronto! 
Seria então expedir o significado de ser livre, para ir e voltar?
E despedir? Seria o quê? O verbo transitivo direto e pronominal que manda embora, assim, de retirada, numa ordem boa ou má... Ás vezes, como pronome, saudava na ocasião da despedida, mas, via de regra, acabava-se. E ainda podendo significar um tanto de desferir, terminar, morrer... 
Seriam verbos irmãos, primos, parentes, que seguem seus caminhos de movimento e término, de fim?
Pensei mais um tanto: poderia despedir-me por aqui ou expedir-me para um parágrafo a mais.
Mas seria um descaso, um descompasso, um desalinho, um desacato da minha parte não continuar...
Amigo, des-pedir, é sem-pedir, é ir embora sem permissão, é sair á francesa, escondido, ou mesmo anunciado, mas a contragosto. É ir, querendo ficar, é partir sem gostar.
Expedindo ou despedindo, sempre se vai a algum lugar. Perto ou longe, mas se vai.
Por isso, as despedidas quase sempre são tristes: é um partir permanecendo.
É ir sem o que fica. Separar-se sem querer. Olhar atrás ao sair, deixando de si e levando um pouco de quem ficou.
E viver é querer que tantos outros verbos façam parte do contexto e que a vida seja mesmo uma grande expedição, com presteza de execução e diligência: cada qual no seu caminho, rumo a um destino, fazendo cumprir o curso que cada um deve seguir. As despedidas fazem parte do itinerário, não tem jeito: São conclusões.
Adiante.

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domingo, 9 de abril de 2017

PS

  Domingo passado li uma breve reportagem na internet sobre uma adolescente que havia falecido por uma infecção grave, não bem definida até então. Soube depois, lendo de outras fontes, que se tratava de uma infecção bacteriana grave, levando á morte. Contava a reportagem, cuja origem não me recordo agora, que a garota havia sido atendida num pronto socorro particular, por 2 vezes, sendo liberada pra casa com diagnósticos e tratamento para tal, mas sem melhora dos sintomas.
  Muita gente se perguntou se houve erro de diagnóstico, se faltou um olhar médico apurado, se havia como impedir a evolução tão rápida e fatal.  Também pensei a respeito. Pensei muito, afinal já estive no pronto socorro dos 2 lados: como quem presta atendimento e como quem o recebe. E é preciso prudência antes de concluir precipitadamente sobre culpa e culpados.
  Pronto Socorro é lugar difícil.Tanto no sistema público de saúde quanto no particular. Difícil para trabalhar, para precisar, enfim... lugar de passagem necessária quando há urgência de fato, e nem sempre isso acontece.
  Do lado de quem atende, posso dizer que é desgastante, cansativo, exaustivo. Ás vezes, não dá tempo de comer, de ir ao banheiro...Alguns até perguntam: "mas não escolheu esta profissão?" Sim, a escolha da profissão não inclui condições desumanas de trabalho... São situações bem distintas...       É uma demanda grande em volume que, por muitas vezes, não dá conta da vazão... Muita gente, pouca urgência, muita cobrança.... Nem sempre a atenção dada é suficiente pela falta de tempo, pelo grande número de pacientes e reavaliações e quando surge realmente um caso urgente, não tem jeito: vai ter mais atraso, mais reclamação por parte de quem está aguardando e, nem sempre as pessoas compreendem que a demora acontece porque a urgência é prioridade. Logo, surgem pacientes mal-humorados, que por vezes destratam funcionários e profissionais de saúde e tornam as condições de trabalho mais insalubres ainda.... Tem recém formados, gente mais experiente, profissionais qualificados, outros nem tanto assim, especialistas, generalistas... há de tudo. E infelizmente nem todo mundo está preparado para a dificuldade. Deveria ser assim? Não. Mas é.
  Do lado de quem é atendido, continua sendo desgastante, cansativo, exaustivo... Há demora para ser atendido, burocracia de recepção, demora na coleta de exames, na obtenção de resultados, contato com gente doente durante a espera, falta de espaço físico, de conforto pro doente, falta de vagas e leitos... Na maioria das vezes, nem somos atendidos como gostaríamos. Há profissionais impacientes, cansados, mal remunerados e que exteriorizam seu descontentamento num atendimento mal feito. Deveria ser assim? Não. Mas as vezes é.
  Pronto Socorro é lugar de URGÊNCIA. Se fosse usado na forma adequada, causaria menos transtornos para ambos os lados. O tumulto, a demora e até a falta do olhar apurado acontece porque tem gente demais usando de forma errada... e atrapalha. A cada dia é um plantonista diferente, com condutas diferentes, vendo um paciente num momento diferente da doença...Não há certo ou errado. Há diversidades gigantes que precisam ser consideradas.
  Dor de garganta, pequenos machucados na pele, assaduras de fraldas, mal estar leve, febre e outros sintomas que NÃO comprometem as atividades habituais do indivíduo (respirar, comer, ir ao banheiro, brincar- no caso das crianças- e dormir) não se constituem urgência.
  A consulta com o médico pode e DEVE ser agendada. De preferência, com um profissional que já conheça o paciente previamente, que atenda SEM PRESSA olhe com CALMA e CUIDADO e dedique a atenção necessária. Não precisa ser um especialista. Pode ser um clínico geral, o pediatra, o geriatra, enfim, quem está mais próximo e seja apto para solucionar o problema.
  Nas Unidades Básicas de Saúde do Município existem vagas reservadas para demanda e para agendamento. Pode até ser que não sejam suficientes para todo mundo, mas dizer que o sistema não oferece, não é verdade. Digo isso porque trabalho em uma. E ás vezes, sobram vagas, pois as pessoas agendadas não comparecem e nem desmarcam.
  Nos consultórios particulares ou que atendam por planos também se consegue agendar. Muitas vezes, aproveitando uma desistência,  até pro mesmo dia. Se seu plano de saúde não oferece profissionais com agenda disponível, questione o serviço prestado e principalmente, o valor repassado ao médico. Talvez o não pagamento em dia para o profissional ou preços defasados de consultas colaboram para que a agenda fique assim.
  Se o médico de confiança, de rotina, não lhe atende, se não há prioridade no atendimento, no acompanhamento, questione a possibilidade de troca. Relação entre médico e paciente é de confiança, cumplicidade. Quem conhece bem seu paciente, consegue, de longe e bem rápido, saber quando as coisas não vão bem...
  Resumindo: não há como encontrar culpado num fatalidade dessas. Mas o uso consciente dos serviços de saúde garantiria melhor atendimento pros pacientes e melhores condições de trabalho pros médicos. E o mais importante (tanto para médicos e pacientes): na persistência dos sintomas, na falta de melhora, é importante pensar numa reavaliação sim, numa segunda opinião, na revisão do caso, do diagnóstico e do tratamento com cautela.
  As super bactérias estão espalhadas por aí, cada vez fazendo mais vítimas. O atendimento médico deve sim acontecer, para que medicações adequadas sejam prescritas, com menor chance de resistência, evitando a automedicação por parte dos pacientes e consequentemente, o uso desnecessário de substâncias que podem contribuir para o surgimentos desses microrganismos tão poderosos.