domingo, 8 de julho de 2018

Tem Copa

Ainda tem Copa.
Embora nosso time não tenha permanecido na competição, o jogo segue.
Então, escolheremos um outro time pra torcer, 
seja por simpatia ou mesmo pela rejeição extrema por algum outro.
Mas torceremos. Não com a mesma empolgação, é verdade. 
Mas vibraremos mais comedidos, acreditaremos no resultado, mesmo que a nossa torcida não seja assim tão fervorosa.
Vibraremos com a vitória de um outro time simpatizante ou sofreremos com a derrota daquele que escolheremos como segunda opção.
Deveria ser assim em outros setores da vida também.
Se o candidato escolhido perdeu, o jeito é torcer pra outro dar certo.
Se o partido não foi eleito, torcer para que na próxima eleição dê certo.
Torcer pro namorado atual levar a Taça e esquecer o namoro antigo, por exemplo.
Já que o planejamento deu errado, pensar num projeto seguinte.
Se o problema não foi solucionado, passar pro problema seguinte ou testar soluções novas.
Bola pra frente.
Ficar remoendo derrotas não leva ninguém a lugar algum.
O jogo segue.
Bem ligeiro.
Daqui a pouco estamos em nova final.
Escolheu onde vai torcer pelo seu segundo favorito?
Bora viver.



segunda-feira, 14 de maio de 2018

Mais ou menos?

Mais uma segunda-feira.
Ou menos uma segunda?
O tempo passa tão rápido
Que não sei se faço a conta 
pra mais ou pra menos.
Com tantas tarefas diárias
O dia voa, a tarde some.
A lista de afazeres aumenta
E consome o resto das horas que faltam.
Mais um dia? Menos um dia?
Como resolver a equação do tempo?
Quanto mais se deseja,
Menos se tem.
Quanto mais tarefas, 
Menos tempo livre.
Quanto mais se dorme, 
Mais sono se tem.
Quanto mais tempo houver,
Menos tempo haverá.
Faça as contas quem souber.
Da segunda, sobram minutos.
Que daqui a pouco, não restarão mais.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

De Dezembro

Posso até estar errada.
Mas geralmente, não me engano.
Só não faço muitos planos,
Pois eles podem querer fugir...
Mas creio que está tudo certo,
Como nunca esteve antes.
Sem peso, sem dívidas ou cobranças,
Com uma distância bem no centro,
Cheia das lembranças.
Eu saberia quando fosse, de fato.
Sempre soube que saberia...
E agora, que sei, respiro mais calma.
Aliviada.
Não tem procura que não termine,
Nem busca que nunca chegue ao fim.
Paciência, menina... Só tenha.
Posso até estar errada,
Mas, lá no fundo, eu sei que não.
Ando mais feliz agora, 
Não me engano, nem disfarço.
Posso até estar errada...
Tem sido um erro bom então.

domingo, 26 de novembro de 2017

Alegriazinha

É uma alegria genuína.
Nem sei como explicar.
Dessas assim, leves, 
sem forma definida,
que brincam ao vento...
Alegria frágil, mas persistente.
Dessas de sol depois de chuva,
ou de chuva fresca depois de um dia de forte calor.
Nem cabe explicação.
É alegria miúda, simples,
de cama com forro cheiroso,
de descanso merecido após dia de trabalho duro,
de massagem no pé, 
de cheiro no cangote,
dessas de abraço apertado de saudade.
Alegria menina, 
de passeio de bicicleta, 
de beijo roubado,
de pipoca e cinema, 
de boa companhia,
de  diminutivo carinhoso.
É Alegriazinha.

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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Terezinha de Jesus

Terezinha de Jesus, de uma queda, foi ao chão.
Nem deu tempo de algum cavaleiro acudir, dar a mão.
O coração de Tereza pausou.
Uma perda inesperada, uma queda não programada,
Que num susto foi levada, sem tempo de despedir.
Terezinha tão alegre, tão cheia de festas em si
Não suportaria ver a vida passar por ela sem sorrir.
Por isso creio que ela foi chamada ás pressas.
Para não ter tempo de fugir.
Ela, alegre e destemida,  jamais deixaria esta vida,
se recusaria a partir.
Então, que de repente, ninguém sabe o por quê,
a vida segue simplesmente, como há de sempre ser.
Pois Terezinha era dessas, que lutava sem reclamar.
Rindo e se divertindo, mesmo quando parecia não dar.
Acho que o céu fez festa pra ela, assim que chegou por lá.
Aqui ficamos mais tristes pela ausência que há.
Terezinha, virou estrela, brilha distante agora.
E nós, ainda perplexos, nos perguntamos: por que foi embora?
Abraços e beijos, Tia! Que seja festa no céu.
Saudades dos que aqui ficam, saudades de todos os seus.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Ei! Olhe pro lado!

Ei! Olhe pro lado!
Deixe esse celular só um pouquinho.
Repare nas pessoas que circulam perto de você.
Dê Bom dia, responda ao Boa tarde, compartilhe um Boa Noite.
Veja se quem trabalha com você realmente está bem e não apenas respondendo compulsoriamente a pergunta que a gente faz por fazer e nem se importa realmente com a resposta ("tudo bem?").
Olhe no olho quando conversar com alguém.
Dispense atenção, por alguns minutos apenas, quando estiver com os seus.
Elogie sinceramente. Dê um sorriso amistoso.
Abrace quando sentir vontade e se policie para que a vontade exista.
Olhe pro seu lado.
Repare em quem está ao seu redor.
Teste sua capacidade de filtrar tristezas, alegrias e tantos sentimentos 
que as pessoas escondem e que só com muita sensibilidade se é capaz de perceber.
Seja humano.  Só um pouquinho, vai? 
Ponha-se no lugar do outro... Pergunte-se sempre: e se fosse comigo?
Deixe o celular de lado, só por uns instantes e observe o mundo.
Tem um tanto de gente precisando e merecendo um olhar que seja.
Visite seu amigo. Pergunte com sinceridade se precisa de alguma ajuda.
Disponibilize um pouco do seu tempo para alguém.
O mundo anda carente de cuidado, de atenção.
Muitas tragédias poderiam ser evitadas se um olhar mais atento tivesse sido dispensado...
Um conselho, um ouvido, um abraço, um afago podem sim mudar o destino de alguém.
Olhe pro lado agora e veja na vida de quem você pode fazer a diferença.
Só por um instante, saia da bolha, enxergue por dentro.
Tem muita gente precisando ser vista e enxergada.
Há milhares de pessoas tramando vinganças, premeditando mortes, se perdendo num surto... Talvez um olhar mais atencioso perceba isso, antes que o pior aconteça.
O tamanho do sofrimento só pode ser calculado por quem o vive. 
Não cabe a ninguém de fora tentar dimensionar. Cada um sabe da sua dor.
Apenas olhe pro lado e enxergue. Sem telas, sem filtros, sem fotos.
Precisamos de uma dose de maior de humanidade para consertar a realidade.
Por um mundo melhor pra você mesmo.

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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Ao médico, de coração.


Meu irmão, certa vez, me perguntou se eu só tinha amigos médicos.
Respondi que a maioria era sim. Mas existia ainda gente normal ocupando algumas vagas de amizades...
A maior parte das minhas amizades veio da medicina. 
A explicação é simples: num curso integral por 6 anos, residência com 60h semanais por mais 3, cerceada por colegas de profissão, fica até difícil encontrar tempo fora do ambiente de trabalho para outras amizades. Existe, mas com o tempo escasso, se torna mais fácil ter por perto, fora do hospital, quem já vive lá com você.
Tenho, na verdade, muita sorte.
Convivi com gente tão incrível, que antes de medicina ou qualquer profissão que fosse, eram pessoas da melhor qualidade. 
Foi então que eu entendi que não é só estudar, aprender e atualizar que faz o médico ser melhor.
A essência da pessoa que veste o jaleco torna a função especialmente mágica.
Gente de um coração imenso e de uma generosidade infinita, que me faz ter orgulho da amizade.
Pessoas de tão boa índole, de caráter ilibado, de conhecimento inquestionável que me faz ter respeito pela profissão que compartilho.
Pessoas nas quais me espelho e me inspiro, todos os dias.
Amizades que me enchem de alegria e felicidade.
Gente que vou levar no peito como amuleto, como abrigo na vida e como conforto na dificuldade.
Que além da medicina carrega tantos outros valores, tão nobres quanto ela, e a exercem da forma mais pura e genuína possível.
Hoje, desejo Feliz Dia aos meus amigos queridos, que dividem comigo as mesma angústias e tristezas que a profissão concede junto com o alívio e o conforto, alegria e desprendimento.
A medicina tem dessas coisas. Nunca é simples, sempre bela. 
Egoísta como só ela sabe ser, mas aproxima aqueles que a amam. De coração.

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