De verdade?
Nem imagino o motivo que faz-se acreditar num país melhor.
Literalmente envolvidos num mar de lama: do congresso á periferia.
Do desabrigado ao saqueador, do soterrado àquele que extorque do vizinho mais de 30 Reais de água...
Esperar melhora? Não mesmo.
Pelo sinal avançado, pela fila furada, pela carteira achada e não devolvida,
pela cola na prova, pela troco errado embolsado, enfim...
Pela propina, pelos "habeas corpus", pelos milhões desviados, pela falta de responsabilidade, pelo descaso com o próximo, principalmente se ele for pobre.
Na boa? Não tem jeito...
Pra quem se vende, sem leiloa, se corrompe, se entrega.
Pra quem se acha melhor por ser branco, preto, rico, hindu, cristão...
Pra quem pensa que religião salva...fim da linha.
Minha expectativa? Um fim próximo, logo ali na esquina, bem depois de amanhã.
Porque acredito que isso aqui já deu!
Esperando o fim das injustiças.
E só.
Para todos os assuntos que motivem conhecimento, reflexão, curiosidade e diversão. Escrever sem preocupações...
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Amortecendo
O aprendiz pergunta ao Mestre:
- Senhor, o que seria então a morte?
A passagem de uma dimensão á outra?
Um fim? Um recomeço?
Um adormecer eterno?
O Mestre então responde:
- Filho, pode ser um suspiro profundo, num momento único, de entrega total..
A morte pode ser um sonho abortado, um abraço negado, uma oportunidade perdida...
Pode representar planos mutilados ou perguntas que nunca serão respondidas...
E pergunta novamente o aprendiz:
- Por que tememos tanto a morte?
Responde o sábio:
- Porque temos medo do desconhecido.
Embora passemos por pequenas mortes durante toda nossa existência, não a reconhecemos tal como ela é.
A cada desilusão se morre um pouco.
Cada decepção abriga em si um morrer pequeno.
As tristezas cultivam um desejo de morte.
O não viver em sua plenitude já é, de certo modo, morrer.
Logo, vivemos enlutados e não nos enxergamos enredados na morte.
Sempre e sempre a cada dia.
Somente pensamos nela num corpo sem vida.
O Aprendiz insiste:
- Mestre, como posso percebê-la e me preparar adequadamente para reconhecê-la?
O Mestre fica em silêncio. Busca um espelho e o coloca na frente do seu aluno.
- Cada vez que se olhar neste espelho irá ver que um pouco de vida ficou impregnado na imagem do dia anterior.
O dia seguinte trará sempre um pouco da morte do tempo que se foi.
A vida carrega em si seu próprio fim.
E então, me enluto pela alegria alheia sim, porque, para mim, representa uma grande tristeza. Pode ser este meu pequeno momento de morte. Pode ser o amortecimento de uma fase, para sempre.
Sem medo de ser julgada, na totalidade de minha humanidade mesquinha, no meu egoísmo gigantesco, que se inconforma com a injustiça dessa vida.
Mesmo sabendo que não é politicamente correto meu desejo, tampouco católico seja meu comportamento ou cristão meu pensamento, preferiria sim à morte que aquele "felizes para sempre".
- Senhor, o que seria então a morte?
A passagem de uma dimensão á outra?
Um fim? Um recomeço?
Um adormecer eterno?
O Mestre então responde:
- Filho, pode ser um suspiro profundo, num momento único, de entrega total..
A morte pode ser um sonho abortado, um abraço negado, uma oportunidade perdida...
Pode representar planos mutilados ou perguntas que nunca serão respondidas...
E pergunta novamente o aprendiz:
- Por que tememos tanto a morte?
Responde o sábio:
- Porque temos medo do desconhecido.
Embora passemos por pequenas mortes durante toda nossa existência, não a reconhecemos tal como ela é.
A cada desilusão se morre um pouco.
Cada decepção abriga em si um morrer pequeno.
As tristezas cultivam um desejo de morte.
O não viver em sua plenitude já é, de certo modo, morrer.
Logo, vivemos enlutados e não nos enxergamos enredados na morte.
Sempre e sempre a cada dia.
Somente pensamos nela num corpo sem vida.
O Aprendiz insiste:
- Mestre, como posso percebê-la e me preparar adequadamente para reconhecê-la?
O Mestre fica em silêncio. Busca um espelho e o coloca na frente do seu aluno.
- Cada vez que se olhar neste espelho irá ver que um pouco de vida ficou impregnado na imagem do dia anterior.
O dia seguinte trará sempre um pouco da morte do tempo que se foi.
A vida carrega em si seu próprio fim.
E então, me enluto pela alegria alheia sim, porque, para mim, representa uma grande tristeza. Pode ser este meu pequeno momento de morte. Pode ser o amortecimento de uma fase, para sempre.
Sem medo de ser julgada, na totalidade de minha humanidade mesquinha, no meu egoísmo gigantesco, que se inconforma com a injustiça dessa vida.
Mesmo sabendo que não é politicamente correto meu desejo, tampouco católico seja meu comportamento ou cristão meu pensamento, preferiria sim à morte que aquele "felizes para sempre".
domingo, 13 de setembro de 2015
Sem assunto
Tentei escrever muitas coisas. Tantas ideias..nada serviu, nada foi bom.
Quando a inspiração vinha, estava sem tempo, com preguiça de esboçar no papel a ideia e depois passar a limpo.
Então, esqueci o motivo e quando sentei, determinada, nada veio...
Ou o que veio, não serviu.. Nada está bom, nada serve. E agora?
Poderia falar do tempo ( tipo o inverno na primavera ou a falta de inverno), do tempo no sentido mais lúdico de significado ( tipo a forma maluca que ele voa, a falta de tempo para se fazer o que se precisa, etc e tal) ou até mesmo do tempo que não tenho mais (projetos engavetados, planos perdidos, desistências da vida). Mas falar de tempo é meio clichê. Quero não.
Poderia falar das notícias bizarras nos jornais, de pais que matam filhos e escondem no freezer, chacinas e refugiados de guerra, mas ando tão estarrecida com esses fatos que tenho preferido não aceitar essa realidade. Não por agora.
Poderia escrever sobre o teste do meteoro do Fantástico, mas acredito que há bem mais chances de outras coisas caírem na minha cabeça no momento, tipo a segunda-feira (que é amanhã) e seu golpe feroz que me aplica toda semana. A segunda é um soco na cara. Ah, é.
Poderia relatar experiências estranhas e gente surreal que vi passar por mim, do papo sem noção do porteiro, do que vi e preferi calar, do que cogitei mas não quis saber, do que imaginei mas não comprovei. Mas não tô na vibe. Hoje não.
Poderia dizer da falta de vontade de conhecer pessoas ou de conviver com algumas que já conheço. Cadê a borracha de gente? Cadê a amnésia seletiva? Vamos inventar,por favor!
Poderia contar das mentiras que ando me permitindo dizer ( quando falo que já tenho o cartão da loja pra vendedora, ou digo que não fui a um evento pois estava em outro por obrigação e conto a mesma história pro evento da obrigação, ficando em casa e indo a nenhum!) ou falar das pessoas indesejadas que finjo não ver para não ter que cumprimentar ( olhando o celular, procurando algo inusitado na bolsa, prendendo o cabelo ou ajeitando o sapato que tá ótimo no lugar). Falemos a verdade: Quem nunca? Mas não posso me denegrir. Não hoje.
Poderia dizer dos quilos que ganhei, da estranheza em (tentar) vestir roupas que não mais me cabem (não me recordava de situação igual vivida) e entender que as fases mudam e com elas a gente também.
Roupas que não cabem, pensamentos que não servem não mais também. Papo chato!!
Poderia contar dos projetos fracassados, de vontades absurdas e ideias insanas. Tô dizendo que os pensamentos nem sempre servem mais? Pois é.
Poderia falar da preguiça ( que tenho de encarar este mundo torto!), da fase antissocial infinita( quase ostracismo), da crise econômica, da crise de valores (que pra mim é bem pior que a econômica!), da falta de amor em tudo (nas relações pessoais e profissionais), mas não quero aceitar essa realidade. Não por agora, num domingo á noite.
Poderia esperar minha intuição me chamar e apontar uma solução mágica para tudo: diagnósticos, contas, horários, tempo, sono. simpatia...
Poderia esperar a inspiração pousar por essas bandas... mas tenho pressa, que esta prosa não pode esperar.
Poderia contar que espero que a semana venha com mais notícias boas que más e que se possa dizer mais elogios que críticas, mais histórias felizes que desgraças. Poderia ter escrito uma oração com menos "quês".
Mas no momento não dá. Nada serve, nada fica bom.
Sigo apagando o que escrevo, escolhendo o assunto sem conseguir terminar.
Espera aí... qual era mesmo o tema da conversa?
Não sei, não tem, nunca vou saber.
Vou dar tchau pro domingo.
Quando a inspiração vinha, estava sem tempo, com preguiça de esboçar no papel a ideia e depois passar a limpo.
Então, esqueci o motivo e quando sentei, determinada, nada veio...
Ou o que veio, não serviu.. Nada está bom, nada serve. E agora?
Poderia falar do tempo ( tipo o inverno na primavera ou a falta de inverno), do tempo no sentido mais lúdico de significado ( tipo a forma maluca que ele voa, a falta de tempo para se fazer o que se precisa, etc e tal) ou até mesmo do tempo que não tenho mais (projetos engavetados, planos perdidos, desistências da vida). Mas falar de tempo é meio clichê. Quero não.
Poderia falar das notícias bizarras nos jornais, de pais que matam filhos e escondem no freezer, chacinas e refugiados de guerra, mas ando tão estarrecida com esses fatos que tenho preferido não aceitar essa realidade. Não por agora.
Poderia escrever sobre o teste do meteoro do Fantástico, mas acredito que há bem mais chances de outras coisas caírem na minha cabeça no momento, tipo a segunda-feira (que é amanhã) e seu golpe feroz que me aplica toda semana. A segunda é um soco na cara. Ah, é.
Poderia relatar experiências estranhas e gente surreal que vi passar por mim, do papo sem noção do porteiro, do que vi e preferi calar, do que cogitei mas não quis saber, do que imaginei mas não comprovei. Mas não tô na vibe. Hoje não.
Poderia dizer da falta de vontade de conhecer pessoas ou de conviver com algumas que já conheço. Cadê a borracha de gente? Cadê a amnésia seletiva? Vamos inventar,por favor!
Poderia contar das mentiras que ando me permitindo dizer ( quando falo que já tenho o cartão da loja pra vendedora, ou digo que não fui a um evento pois estava em outro por obrigação e conto a mesma história pro evento da obrigação, ficando em casa e indo a nenhum!) ou falar das pessoas indesejadas que finjo não ver para não ter que cumprimentar ( olhando o celular, procurando algo inusitado na bolsa, prendendo o cabelo ou ajeitando o sapato que tá ótimo no lugar). Falemos a verdade: Quem nunca? Mas não posso me denegrir. Não hoje.
Poderia dizer dos quilos que ganhei, da estranheza em (tentar) vestir roupas que não mais me cabem (não me recordava de situação igual vivida) e entender que as fases mudam e com elas a gente também.
Roupas que não cabem, pensamentos que não servem não mais também. Papo chato!!
Poderia contar dos projetos fracassados, de vontades absurdas e ideias insanas. Tô dizendo que os pensamentos nem sempre servem mais? Pois é.
Poderia falar da preguiça ( que tenho de encarar este mundo torto!), da fase antissocial infinita( quase ostracismo), da crise econômica, da crise de valores (que pra mim é bem pior que a econômica!), da falta de amor em tudo (nas relações pessoais e profissionais), mas não quero aceitar essa realidade. Não por agora, num domingo á noite.
Poderia esperar minha intuição me chamar e apontar uma solução mágica para tudo: diagnósticos, contas, horários, tempo, sono. simpatia...
Poderia esperar a inspiração pousar por essas bandas... mas tenho pressa, que esta prosa não pode esperar.
Poderia contar que espero que a semana venha com mais notícias boas que más e que se possa dizer mais elogios que críticas, mais histórias felizes que desgraças. Poderia ter escrito uma oração com menos "quês".
Mas no momento não dá. Nada serve, nada fica bom.
Sigo apagando o que escrevo, escolhendo o assunto sem conseguir terminar.
Espera aí... qual era mesmo o tema da conversa?
Não sei, não tem, nunca vou saber.
Vou dar tchau pro domingo.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Da terça
E de repente,
cai sobre mim um cansaço,
um desânimo,
uma vontade enorme de desistir.
Limito-me a fechar a porta,
ligar a TV e tentar esquecer o mundo lá fora...
Esquecer as contas,
as notícias péssimas que insistem em aparecer...
Espantar da mente a inflação,
as decepções,
as situações incompreensíveis
e impossíveis até mesmo de contar.
Vontade de fingir de morto,
de não revidar.
Porque todos pedem ajuda.
E quem vai me auxiliar?
E o melhor seria
tomar um remedinho mágico
que limpasse a memória,
espantasse o tédio,
trouxesse alegria
e uma revigorante coragem.
Porque está difícil manter a classe.
A simpatia nunca foi meu forte.
Não vou deixar saudades pelos sorrisos.
Nem vou contar algo só para agradar alguém.
Mas nem todos primam pela verdade.
E não estou triste pela deslembrança.
Só incomoda o fracasso.
Não fui treinada para perder.
cai sobre mim um cansaço,
um desânimo,
uma vontade enorme de desistir.
Limito-me a fechar a porta,
ligar a TV e tentar esquecer o mundo lá fora...
Esquecer as contas,
as notícias péssimas que insistem em aparecer...
Espantar da mente a inflação,
as decepções,
as situações incompreensíveis
e impossíveis até mesmo de contar.
Vontade de fingir de morto,
de não revidar.
Porque todos pedem ajuda.
E quem vai me auxiliar?
E o melhor seria
tomar um remedinho mágico
que limpasse a memória,
espantasse o tédio,
trouxesse alegria
e uma revigorante coragem.
Porque está difícil manter a classe.
A simpatia nunca foi meu forte.
Não vou deixar saudades pelos sorrisos.
Nem vou contar algo só para agradar alguém.
Mas nem todos primam pela verdade.
E não estou triste pela deslembrança.
Só incomoda o fracasso.
Não fui treinada para perder.
domingo, 28 de junho de 2015
Sobre espertezas, espertalhões e expertises
E o mal do esperto continua sendo achar que todo mundo é otário.
Mas fica a dica: na era do celular que fotografa e filma,
dos registros em redes sociais
e da maior e melhor rede de comunicação que sempre existiu- o boca-a-boca-
torna-se impossível fazer algo em segredo.
O sigilo já morreu, falo logo.
Tem sempre alguém que conhece outro alguém, que viu, que sabe, que ouviu dizer.
Não é nem por fofoca. Mas por compartilhamento de mundo, socialização.
Logo, pensar que ninguém fica sabendo,
que vai passar despercebido, que ninguém vai prestar atenção é ilusão.
Contar mentira e inventar história que não se sustenta por si só também não funciona.
As pessoas pensam, embora nem todas de forma realista,
e podem concluir, por elas mesmas que os fatos não fazem sentido...
Não divulgar algo também não é confirmação de discrição.
Mas achar que o mundo é preenchido somente por gente beócia é muita pretensão.
E ingenuidade.
Falta de caráter é epidemia, infelizmente.
Torcendo pra que haja gente imune.
Torcendo e muito para que muita gente que se acha esperta escorregue na própria mentira,
caia sozinho na armadilha que fez pra si.
Não por desejo de maldade, mas por anseio de justiça.
Para que sirva, ao menos, de experiência.
Mas fica a dica: na era do celular que fotografa e filma,
dos registros em redes sociais
e da maior e melhor rede de comunicação que sempre existiu- o boca-a-boca-
torna-se impossível fazer algo em segredo.
O sigilo já morreu, falo logo.
Tem sempre alguém que conhece outro alguém, que viu, que sabe, que ouviu dizer.
Não é nem por fofoca. Mas por compartilhamento de mundo, socialização.
Logo, pensar que ninguém fica sabendo,
que vai passar despercebido, que ninguém vai prestar atenção é ilusão.
Contar mentira e inventar história que não se sustenta por si só também não funciona.
As pessoas pensam, embora nem todas de forma realista,
e podem concluir, por elas mesmas que os fatos não fazem sentido...
Não divulgar algo também não é confirmação de discrição.
Mas achar que o mundo é preenchido somente por gente beócia é muita pretensão.
E ingenuidade.
Falta de caráter é epidemia, infelizmente.
Torcendo pra que haja gente imune.
Torcendo e muito para que muita gente que se acha esperta escorregue na própria mentira,
caia sozinho na armadilha que fez pra si.
Não por desejo de maldade, mas por anseio de justiça.
Para que sirva, ao menos, de experiência.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Coletivo
Poderia ser qualquer pessoa?
Não sei explicar.
Poderia ter ficado em pé,
sem sentar.
Ou ter sentado lá no fundo,
encostada num cano de apoio qualquer.
Poderia ter esperado um outro ônibus,
uma outra linha,
feito um outro trajeto.
Poderia ter perdido a hora,
se atrasado e ter perdido o coletivo.
Poderia ter acordado indisposta,
não ter saído de casa.
Poderia ter encontrado um conhecido, um amigo,
ter prolongado conversa e ter chegado em casa tarde, bem mais tarde.
Poderia não ter ido trabalhar.
Poderia ter deixado o assento preferencial vazio.
Poderia não ter caído,
não ter desequilibrado.
Poderia a curva ter sido mais suave,
a velocidade mais branda.
Poderia a porta estar travada,
não ter aberto pelo impacto ou não estar com defeito.
Poderia ter sido jogada para longe pelo efeito centrífugo.
Poderia ter escapado da queda,
do impacto,da porta e da morte.
E de uma forma torpe a vida se esvai:
atropelada por um ônibus,
numa queda besta e improvável,
impossível de se imaginar.
E então, os sonhos agora estão destruídos no chão,
esmagados, sem fôlego,
tingindo de vermelho o asfalto,
falando alto para todo mundo ouvir:
poderia ser eu ou você.
Poderia ser qualquer um?
E a vida é assim, de repente nada importa mais.
E o pensamento coletivo vigora: o amanhã é hoje.
Não sei explicar.
Poderia ter ficado em pé,
sem sentar.
Ou ter sentado lá no fundo,
encostada num cano de apoio qualquer.
Poderia ter esperado um outro ônibus,
uma outra linha,
feito um outro trajeto.
Poderia ter perdido a hora,
se atrasado e ter perdido o coletivo.
Poderia ter acordado indisposta,
não ter saído de casa.
Poderia ter encontrado um conhecido, um amigo,
ter prolongado conversa e ter chegado em casa tarde, bem mais tarde.
Poderia não ter ido trabalhar.
Poderia ter deixado o assento preferencial vazio.
Poderia não ter caído,
não ter desequilibrado.
Poderia a curva ter sido mais suave,
a velocidade mais branda.
Poderia a porta estar travada,
não ter aberto pelo impacto ou não estar com defeito.
Poderia ter sido jogada para longe pelo efeito centrífugo.
Poderia ter escapado da queda,
do impacto,da porta e da morte.
E de uma forma torpe a vida se esvai:
atropelada por um ônibus,
numa queda besta e improvável,
impossível de se imaginar.
E então, os sonhos agora estão destruídos no chão,
esmagados, sem fôlego,
tingindo de vermelho o asfalto,
falando alto para todo mundo ouvir:
poderia ser eu ou você.
Poderia ser qualquer um?
E a vida é assim, de repente nada importa mais.
E o pensamento coletivo vigora: o amanhã é hoje.
domingo, 7 de junho de 2015
Que canseira!
Ai, que canseira!
Sem disposição para discutir, nem explicar.
Impaciente pela burrice alheia.
Intolerante com a falta de bom senso do mundo.
Gente que reclama das mesmas coisas,
repetindo os mesmos atos,
fazendo as mesmas escolhas,
e mantendo as reclamações, por conseguinte.
Que canseira me dá!
Falta de coragem para novos planos, novos vôos.
Gente que só dá ordens, sem nem pensar.
Ai, pode dormir sem acordar?
Que me cansa essa segunda infinda,
a rotina sem graça da semana que passa,
dessa maternidade moderna que acha que os filhos não podem sofrer.
Como cansa!
A falta de perspectiva.
a falta de oportunidades.
a falta de viagens, de grana, de amores.
Como cansa tudo isso!
Como desanima, desestimula!
O domingo á noite é uma grande depressão.
Sem disposição para discutir, nem explicar.
Impaciente pela burrice alheia.
Intolerante com a falta de bom senso do mundo.
Gente que reclama das mesmas coisas,
repetindo os mesmos atos,
fazendo as mesmas escolhas,
e mantendo as reclamações, por conseguinte.
Que canseira me dá!
Falta de coragem para novos planos, novos vôos.
Gente que só dá ordens, sem nem pensar.
Ai, pode dormir sem acordar?
Que me cansa essa segunda infinda,
a rotina sem graça da semana que passa,
dessa maternidade moderna que acha que os filhos não podem sofrer.
Como cansa!
A falta de perspectiva.
a falta de oportunidades.
a falta de viagens, de grana, de amores.
Como cansa tudo isso!
Como desanima, desestimula!
O domingo á noite é uma grande depressão.
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