quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Em tudo dai graças

"Em tudo dai graças".
Juro que tento, mas nem sempre consigo.
Ainda é difícil agradecer pela adversidade.
Reluto em aceitar a tragédia como caminho de purificação.
Não sei se consigo compreender os motivos dos desfechos ruins.
E muitas vezes me questiono se há justiça.
Na maioria das vezes, penso que não há.
Tento, na fé, superar o desânimo, esquecer a indignação.
Mas fraquejo.
E confesso que sinto um nó na garganta quando tento agradecer pelo desastre.
A voz não sai, a palavra não se solta...
Preciso aprender.
Ter mais fé, resignação e confiança.
Ver além, enxergar por outro prisma.
Ainda não sei.
E choro por não saber.
Mas espero que Deus, na sua infinita bondade tenha misericórdia de mim,
que não consigo entender seus desígnios, tampouco aceitar a dor.
Espero conseguir enxergar  luz na desgraça
e agradecer também pelo o que fizer sofrer.


domingo, 17 de agosto de 2014

Sobre meninos, tigres, aviões, guerras e outras tantas coisas mais.


Crio então mentalmente a cena:
Mamãe olhando para mim, com jeito de reprovação, cara de brava, semblante mais fechado que temporal se aproximando no céu.
Eu? Com muito mais medo dela do que do tigre, me afastaria, sem pestanejar da grade e voltaria para o meu lugar, sem sequer ousar abrir a boca para contestar.
E terminaria assim minha visita ao zoológico.
Minimamente, levaria uma bronca. Na pior hipótese, um beliscão escondido na costela, que só eu, Deus e ela saberíamos. E tudo se resolveria assim.
Espanta é saber que o controle de um filho com o olhar já não funcione mais.
Que a autoridade paterna ou materna seja apenas figurativa.
E que a culpa por uma sucessão de erros, que insistem em chamar de fatalidade, ainda seja distribuída entre o tigre e o zoológico.
O medo e o respeito que sempre tive pela minha mãe, por meu pai e por tantas outras pessoas e situações semelhantes com as quais me deparei, hoje sei, foram necessários para me manter viva.
E alerta. Não tem jeito: é a guerra pela sobrevivência e nem sempre a luta é a melhor estratégia.
E por falar em guerra, travamos uma pela vida: que vírus monstruoso é este que se espalha pela África trazendo pânico e terror? Ás vezes me pergunto se a pobreza extrema já não seria castigo suficiente...
Mas para piorar o que já é ruim, existe sim vírus mais macabro: aquele que transforma o homem em lobo de si mesmo. A matemática perde o sentido contabilizando quantos civis perdem a vida numa guerra insana ( toda ela é!) por um pedaço de chão, uma ideia de nação. Quem não valoriza seu povo, suas crianças, não pode nunca ser valorizado como nação... Foi mal Israel. A ética não permite a etiqueta. Que palestinos e israelenses encontrem na religião a paz que o mundo tanto precisa... Guerra já temos o suficiente.
E por fim, nunca assisti a tantas quedas e desastres aéreos com neste ano... Medo!
Avião que some, que é abatido (oi?), que despenca do nada do céu, que mata um, dois, dez, milhares.
Pensando cá com meus botões: quantos sonhos desfeitos, quantas famílias esfaceladas...
Fico imaginando se deu tempo de um último pensamento, de um oração derradeira ou um breve agradecimento. Ou se todos que se foram de repente, nem se deram conta de que partiram...
Só sei que o céu está cheio. Muitos sendo chamados para a habitação celestial. Alguns personagens ilustres terrenos, outros desconhecidos guerreiros...
E para quem fica neste plano sobram as reflexões.
Não sei se as pessoas se dão conta de que num segundo tudo muda: uma pessoa já não existe, um avião inteiro já não existe, um braço se foi, uma vida se vai.
Não sei se vale o esforço de tanto projeto,  de tanta luta e privação, se não sabemos se estremos vivos para saborear a colheita que guardamos com tanto apreço no celeiro.
Dá medo não saber sobre qual assunto será a nova notícia e de que forma ela afeta o caminho que a gente desenha.
Decidi então, ir mais devagar. Não quero não me dar conta do dia, da semana, do mês, do ano e descobrir, por engano, que tudo já passou, que não deu tempo de curtir como eu queria, que não consegui aproveitar como gostaria...
Não sei se ebola, avião, guerra ou tigre. Ninguém sabe onde a vida da gente muda de caminho.



quarta-feira, 23 de julho de 2014

Arrastão

E nos últimos dias o mundo ficou mais triste, menos poético e mais ignorante...
Não sei o motivo das perdas. 
Se o céu precisava de mais lirismo, de mais espontaneidade, de mais brilho...
Realmente, não sei.
Só sei que o povo aqui na terra ficou mais apagado.
Um breu só, sobrando ignorância e despreparo, 
excedendo em indelicadezas com a língua portuguesa.
Daí me questiono: com tanta maldade merecendo castigo, 
tanta gente má precisando de cartão vermelho, 
por que pessoas boas levadas assim, de arrastão?
Então, percebo que todos que se foram gozavam da serenidade da senilidade.
Tiveram o tempo necessário para espalhar muita mudança boa
pelos caminhos percorridos em tantos anos vividos.
Se somarmos as idades, mais de século de literatura e conhecimento.
Tiveram tempo para fazer valer todo o empenho de um vida inteira.
Resta então, para quem por aqui fica, a lembrança e o exemplo de tão nobres figuras:
João, Rubem e Suassuna.
O consolo de obras belas que poderão ser lidas e relidas.



domingo, 6 de julho de 2014

Despreocupações

Não estou preocupada se o piso foge ou se o chão se abre.
Nem ensaio rugas se a seleção ganha ou perde, 
se o craque joga ou escorrega, 
se fratura a vértebra ou meus ouvidos com tanta notícia má...
Não me interessa se é folga ou dia normal. 
Afinal, dias são dias.
Não são essas preocupações que me afligem.
Ainda obedeço alguns prazos, porque não posso me desvencilhar deles.
Mas não mais me castigo em cumprí-los honrosamente, com tanto afinco como antes.
Descobri que tudo continua igual, independente dos resultados conseguidos.
As contas continuam chegando, as cobranças, da mesma forma.
E a gente continua precisando do trabalho e do pão diário, faça chuva ou sol.
Não me intriga se hoje fico em casa tecendo fios ou se ponho a cara na janela para ver o mundo, porque, no fundo, ele continua girando para o mesmo lado e sentido, 
e ás vezes, não faz sentido algum correr atrás do vento...
Não sei se a obra começa, se permanece estagnada, se a hora adiantada me faz morrer de sono. 
Estou absorvendo, sem pressa, a onda do momento, que é deixar o curso da vida seguir,
Que os passarinhos cantem, que as manhãs recomecem, que os dias prossigam.
Que os planos sejam necessários, mas sejam só planos.
Que haja mais afeto e pronto.
Não me interessa se a cor não está boa, 
se a roupa destoa, 
se cabelo despenteia, 
se ando bonita ou feia, 
se sorrio mais ou menos, 
se penso em demasia 
ou se chego a conclusões vazias sobre estórias que eu inventei.
Não me importa a nota que me deram, se foi dez ou zero, se agradei ou não.
Estou vivendo e é o que conta.
Quero acertar o tom que a voz conseguir chegar. E só!
A preocupação de achar, de encontrar, de buscar respostas, hoje já não me incomoda.
Não se encontra o que não se perdeu.
E não se perde o que não se tem.





sábado, 28 de junho de 2014

Pernas pro ar

O mundo anda de pernas para o ar.
E eu, procuro me segurar em algum lugar.
Porque penso que em algum momento todas as convicções se perdem,
todos os pudores morrem, todas as verdades se transformam em mentiras.
Vale mesmo o vinho, que transforma as pessoas e seus sonhos.
Quero mesmo é dizer que não vou morder as pessoas.
Que acredito que a palavra basta.
Que os desejos sinceros se realizam á medida que a vontade permanece.
E eu permaneço.
Inteira, invicta, acreditando que mesmo com tudo fora de lugar, em algum momento as coisas se ajeitam.
Abraço sincero, para os juízes de plantão.
Julgar é tarefa difícil.
Prefiro me abster.
O mundo continua de pernas para o ar e eu tenho muito medo de que o chão não volte para os meus pés.
Mães que detestam filhos, filhos que matam pais, governo que comete homicídio.


Todo dia nasce nova notícia.
Espero que tudo seja apaziguado.
Ando com medo das novidades que virão.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

11/06/14

Estar desacompanhado amanhã não é uma tragédia.
Não creio que seja decepcionante estar sozinho.
Pior é manter relações de aparência, amparadas em comodidade, 

pelo simples fato de não suportar a solidão.
E quando digo solidão, falo daquela que temos o tempo todo: a de convivermos com nós mesmos.
Só aceita o outro, quem antes se aceita: entende as próprias fraquezas, perdoa os defeitos que percebe em si e enxerga que, dentro das limitações que se tem, pode encontrar conforto na própria companhia.
Só ama o outro quem primeiro se ama.
Só vale o encontro com o outro se antes alguém já se encontrou.
Há tanta gente perdida na vida, sem saber o que procura que, nunca vai achar o que nem sabe que perdeu.
Muitos engatam uma história na outra apenas para não se sentir sozinho.
Outros procuram incessantemente uma pessoa perfeita, que não existe, e vão, de relação em relação, provando e dispensando o que não se encaixa na idealização.
Há quem ainda viva com medo de encontrar no outro a perdição. Porque amar é se perder.
Não é uma tragédia estar só quando se tem o coração cheio, repleto de boas amizades, de pessoas queridas, de recordações agradáveis e planos e sonhos bonitos.
Tristeza é ser ou estar vazio.
A companhia só conta mesmo quando vem com cumplicidade, entendimento, interação de olhares e projetos, temperados com aquele friozinho na barriga e uma palpitação do bem. 
Se assim não for, mesmo acompanhado pode-se sim estar só.
E vazio.


terça-feira, 3 de junho de 2014

Pizza, coca-cola e bolo de chocolate.

E o dia foi cheio.
Cheio de atendimentos.
Lotado de trabalho.
Cheio de gente simples.
Repleto de pessoas legais.
Cheio de agradecimentos sinceros,
de explicações simples,
de despedidas aliviadas.
Um cansaço honesto.
E para coroar a terça cheia,
recebo em casa pessoas queridas com pizza,
coca-cola e bolo de chocolate.
Alegria, descontração e saudade,
trazendo leveza pra minha noite.
E concluo então, que as coisas boas são assim:
disfarçadas de delícias, escondidas nas motivações sem motivo,
sem cobranças, sem prazos; um conforto de abraço,
de uma conversa animada cheia de pessoas alegres
que compartilham alegria, pizza com coca-cola e bolo de chocolate.