domingo, 17 de junho de 2012

Foi ontem


Desisti oficialmente de tentar entender este mundo maluco. Foi ontem.
Compreendi que minha astúcia não acompanha a velocidade das mudanças, 
minhas energias não seguem a rapidez dos relacionamentos, 
minha educação não combina com a  falta de bom senso,
nem meus sentimentos são tão descartáveis e superficiais quanto o que se experimenta por aí.
Acho que não faço parte do século. Fui esquecida aqui.
Não é preconceito, nem qualquer coisa do gênero.
È inadequação mesmo.
Estou inadequada a esta cultura de sensações, a este pensamento de se divertir e ser feliz a qualquer custo.
Quero a delicadeza do encontro, a sutileza dos abraços, a certeza de que, sim, existe alguém bom, interessado no algo mais que está dentro de outro alguém.
Muitos enfeites, pouco pano, muito brilho e pouco contexto. 
Esta é a verdade: muita produção para maquiar a falta de valores, de metas, de planos e sonhos.
Muito brilho para disfarçar a falta de frescor na vida.
Desisti de entender as pessoas, de compreender os planos Divinos, por que, honestamente, tudo anda muito confuso... Resignei-me a minha inignificância e vou ficar quietinha, na espreita, só nós duas: eu e ela.
Ontem percebi que estou no lugar errado, na hora errada, no momento errado.Nada certo. 
Isso justifica uma sucessão de fatos desagradáveis que andam se apresentando a mim.
Não tem como dar certo o que sempre segue errado...
E o conserto? Só Deus, só Deus!
Como não dá para me mudar de mundo, vou tentando subsistir, comunicando oficialmente minha desistência  na participação dos lucros disso tudo.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

20/04/12

Bom é ver que a gente cresceu.
Como num espelho retrovisor, 
enxergando a paisagem ficando cada vez mais distante, 
mas vislumbrando o caminho e reconhecendo cada parte do trajeto.
Bom perceber que se amadureceu.
Muitas vezes com lágrimas, outras com teimosia.
Mas a gente sempre aprende.
Aprende a deixar partir, a se recolher, a resguardar ou até mesmo aparecer.
Entende que o que ficou errado lá atrás pode ser o certo de agora.
E que por mais que se tente compreender os fatos, 
há um momento em que a razão não existe, porque a emoção nos cega.
E a cegueira priva, mas também protege.
E existe um tempo certo de se aprender a enxergar.
Olhar o mundo com mais calma, perceber as pessoas com mais paciência.
È difícil subir os degraus, mas é satisfatório ver lá de cima a distância percorrida.
Difícil também é esquecer os tombos.
Dói limpar os joelhos ralados e dói lembrar da queda outra vez.
Mas a gente sempre se levanta.
Porque maior que o cansaço é a vontade de cruzar a ponte
e percorrer o caminho, mais uma vez, da escola da vida.
Maior é  a vontade de fazer diferente, 
de experimentar sensações novas ou repetir aquelas de que tanto se gosta.
Maior do que a queda é o que se aprende dela:  pular os obstáculos, deviar dos buracos,
enxergar adiante e se preparar para o salto.

sábado, 31 de março de 2012

Medos

Tem gente que tem medo de escuro. Há pessoas que tem medo de altura.
Outras, de multidão, de animais, de mortos, de assombrações, de almas penadas, de insetos, de palhaços, 
enfim: de uma infinidade de situações e objetos, que racionalmente, não se consegue explicar, nem entender.
Também tenho minhas fobias.
Já passei por muito constrangimento por elas, e ainda convivo com essa fraqueza hoje em dia, 
embora de forma menos agressiva e angustiante como antes.
E por mais que se queira ser livre do medo, a expulsão não depende apenas de nossa vontade.
Vai muito além do nosso querer ou poder.
Mas o que me preocupa ultimamente não são os medos que me acompanham desde criança.
São aqueles que adquiri depois de crescida.
Medos que desenvolvo um pouquinho todo dia, quando vou assistindo e reunindo na memória uma porção de fatos que me apavoram e me tiram  sono.
Ando com medo de gente.
Medo de pessoas que matam irmãos e pais, enforcam companheiros- ditos amores de uma vida inteira!
Medo de gente que mata para roubar um tênis, um celular, que banaliza e torna objeto o outro, como se ele não fosse mais pessoa, como se não fosse mais sujeito. Apenas uma coisa sem valor.
Medo de gente que jura amor eterno e mente, descaradamente, como se fosse natural enganar alguém.
Medo de quem estipula preço para si e para os outros, que se vende, que se transforma em mercadoria.
Medo de quem acredita que o vício salva; medo de quem se acovarda diante das dificuldades e se ampara no crime. 
Medo de quem não mata, mas assiste á morte alheia sem agir.
Medo de quem acha que roubar é esperteza, que levar vantagem é virtude e que ser honesto é perda de tempo.
Medo de quem acha que filho é acidente, carga, peso, fardo...
Medo de quem mente por prazer, de quem destrói sonhos e vidas, apenas por não fazer o que é correto.
Medo de quem bebe e dirige, de quem se acha melhor que o outro por ter mais dinheiro ou que tem mais valor por ter mais estudo...
Tenho medo de gente comum, que se esconde em facetas perfeitas, que juramos ser verdadeiras, e não são.
Tenho medo do engano e de ser vítima dele.
Mas tenho tentado vencer o medo, toda vez que acredito que todos são essencialmente bons e dou uma chance para a bondade se manifestar.
Nem sempre dá certo. Mas preciso do enfrentamento. È necessário.
Aprender a controlar  a apreensão e a desconfiança em relação ao outro é uma lição diária.
E não deixa de ser uma tentativa de vencer o medo.

domingo, 25 de março de 2012

A vida é uma fanfarrona!

A vida é uma fanfarrona!
Gosta de ironia, de brincadeiras.
Faz com que nos questionemos sobre fatos, pessoas e acontecimentos,
que curiosamente, se apresentam como coincidências.
Mas será que, de fato, são?
Será que  o que tentamos evitar a qualquer custo e, que de repente, cai do céu na nossa frente, é acaso?
Será que o destino prega peças?
Será que somos peões de um tabuleiro de um jogo que já se sabe o final?
E o que dizer então das reações inesperadas que temos?
Quando achamos que agiríamos de um jeito e, subitamente, outra resposta aparece, contradizendo todo o pensamento anterior e nos surpreendendo...
Ainda me surpreendo comigo mesma e mais ainda com as outras pessoas!
Deparo-me com encontros e desencontros dignos de roteiros de filmes e novelas.
Parace até gozação!
Mas ainda acredito que , mais adiante, se possa compreender melhor este jogo de idas e vindas, 
coincidências e acasos.
È o que me faz seguir tentando decifrar os mistérios de cada dia...

domingo, 11 de março de 2012

Déjà vu

Descobri que nem tudo adormece, nem tudo se dissipa.
Num simples instante, o que parecia encerrado, mostra de novo sinais de vida.
Discreto, mas presente. Como antes, mas diferente. 
Guardando algo do momento que existiu e que passou.
Mas está vivo. Não sei explicar direito...
Estranha é a sensaçao de déjà vu, o frio na barriga que se repete- como sempre foi.
E então, perco a graça, perco o rebolado, fico sem jeito.
Não há mais espaço pra me acolher, já não caibo em qualquer lugar.
Tudo fica pequeno, sufocante. E eu, já não faço mais parte do contexto...Melhor ir embora.
E um turbilhão de lembranças e sentimentos que dormiam, simplesmente estão acordados novamente.
Na espreita, me vigiando, esperando minhas reações ou a falta delas.
Ainda não sei o motivo do despertar do esquecido, do enterrado, morto e sepultado.
Uma visão? Uma memória torta? Uma situação? Um lugar? Uma história?
Não sei.
Só sei que quando me dou conta estou revivendo mentalmente tudo de novo, 
o bom e o ruim, pensando em  acasos, explicações esdrúxulas e possibilidades vãs, nulas.
E então, me flagro velando o que já foi enterrado, cremado, sofrido, apagado, mesmo que momentaneamente.
Tentendo esquecer o que já foi esquecido, enxugando o que foi derramado, outra vez.
E eu não consigo entender o porquê do retorno...
Só sei que o que morreu está de volta.
Por mais que eu queira deixar para trás.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Vinde e Vede!

Ontem participei pela primeira vez do encontro católico da Renovação Carismática que acontece durante o carnaval. Fui o que eles chamam de "servos", num trabalho, digamos, voluntário-obrigatório, que me vi tendo que fazer. A experiência é interessante, mas acredito que sempre é bom observar bastante antes de tirar conclusões. E foi isso que fiz.
A Renovação carismática é um movimento da Igreja Católica que surgiu no EUA, na década de 80, que exalta Maria e tem momentos de adoração e louvores, a Deus, Jesus- seu Filho- e , principalmente, ao Espírito Santo.
Acho louvável o culto á Maria e á Trindade Santa, bem como toda tentativa de aproximação do Cristão de Deus, mas na verdade a renovação nada mais é que uma tática de manter os fiéis católicos, que estavam migrando para as religiões protestantes pentecostais.
Também não acho errado que a Igreja se preocupe em manter seus fiéis. Cada um tem sua tática, não é?
A forma dos louvores, adorações e orações são muito semelhantes. As pessoas parecem arrebatadas, incluídas numa dimensão á parte, absortas mesmo, nas palavras e canções.
Choram, oram e cantam, como se nada mais houvesse naquele momento.
Muito parecido também com os cultos pentecostais.
Existe mesmo um tratamento diferente entre os católicos "renovados" e os não "renovados".
Não sei bem explicar, mas parece uma espécie de cisão.
Bom, arcaica e tradicional que sou, continuo renovando minha fé na religião que professo, sem me atirar em outros movimentos que fogem do contexto de realidade.
Acredito na fé, mas creio também que obras são necessárias, e nada melhor do que agir, pondo em prática o que se aprende no dia a dia, no trato com as pessoas.
Não preciso dormir e acordar num templo pra ser santa, nem viver em função de uma Igreja pra ser salva.
Não preciso falar "em línguas", tampouco participar de grupos de oração para receber a salvação.
Preciso sim é respeitar o próximo, agir de forma justa e ofercer louvor a Deus de coração aberto e arrependido. È isto que Ele pede.
Porém observando ao longe, percebi ainda, que no momento que a Missa começa- parte tradicional da celebração Católica, que sofreu poucas influências da Renovação-  a educação e o respeito desaparecem.
São crianças e jovens andando e correndo para todos os lados, pessoas conversando, como se realmente estivessem num ambiente á parte, totalmente desarticulado com o local onde se celebra. Parecia uma feira livre...
Sem contar que  há pessoas que aproveitam o encontro para fins que não estão ligados ao propósito da congregação... Jovens em busca de paqueras, pessoas fazendo uso de bebidas alcoólicas, uso de roupas inadequadas e falta de bons modos.
Sei que em qualquer lugar poderiam surgir pessoas assim, e por ser um encontro religioso não quer dizer que seja exceção. Poderia, mas não é.
Entretanto, me assustei ao perceber condutas tão diferentes em alguns momentos.
A pregação, a adoração  e os momentos chamados de unção atraem  as pessoas, mas a missa, celebração importante que é responsável pela Eucaristia sendo tratada de forma insignificante.
Continuo professando minha fé católica, ponho-me á disposição na comunidade em que frequento para ser útil na medida do possível, mas sei que a fé cega, que acredita em milagres, que testa o poder de Deus a qualquer hora é vã.
Acho importante o culto á Maria e a propagação dele deve ser mantido.
Só não acredito que haja formas diferentes de fé. Acredita-se ou não.
Não é um movimento, uma religião diferente, um padre novo, um jeito diverso de celebrar, cantar, orar que fará com que a fé seja nova ou que se encontre um Deus novo.
Ele é o mesmo, sempre. Seja qual for a escolha. E merece o respeito, sendo celebrado de forma Renovada ou não.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Todo ano

Todo início de ano é igual: fazemos planos, listamos mudanças, nos propomos melhorias na aparênica, no trabalho, em casa, enfim, começamos com o intuito de revolucionar a vida.
Janeiro vem meio moroso, como quem começa já cansado do fim do ano passado.
E aí, percebemos que instaurar as mudanças nesta época é um pouco difícil.
Tem férias, horário de verão, calor, programação estendida...
Tudo contra a inauguração da lista de ano novo!
Então, espera-se fevereiro, que chega já em ritmo de festa. 
O carnaval abole uma semana inteira do calendário de um mês com menos de 30 dias!
Mais alteração de horário, programações de verão e festejos.
Melhor esperar por março.
Então, dá-se conta de que 3 meses já transcorreram e nada da tal mudança se concretizar.
Até porque, a manutenção da lerdeza torna difícil a escapadela da condição, mesmo com muito esforço...
E assim vamos seguindo, abril, maio, junho. 
Muita gente não se dá conta que os meses voam, mas a lista continua lá, intocada.
Para que os outros 6 meses passem, basta piscar os olhos! E pronto: fim de outro ano novamente.
Quem não ficar esperto desta vez pode ficar com os planos embrulhados e as mudanças engavetadas.
Correndo contra o relógio e vendo os dias passar como cometas: assim estamos nós neste  2012...