Fiquei pensando no disparate da vida hoje enquanto ia até a padaria e ouvia um senhor, já idoso, tocando um tipo de flauta, sentado na calçada, aguardando esmolas dos passantes...
Enquanto ele esperava qualquer coisa de alguém, eu estava escolhendo o que levar pra casa...
E se for refletir de verdade, dá dor no coração.
Enquanto se escolhe a roupa, a cor, o modelo, tem gente precisando de qualquer coisa que cubra o corpo, não importando tamanho, novidade ou valor.
Enquanto a gente faz dieta de glúten e lactose, tem quem não tenha um alimento apenas para matar a fome.
Enquanto falta comida na casa de uns, sobra luxo em outras. Com desperdício até.
Enquanto uns fogem pra sobreviver, outros vivem a fugir das oportunidades que a vida oferta.
Enquanto uns perdem a vida por muito pouco, outros não se importam com o significado que ela possui.
Tem um senhor que revira os lixos aqui da rua todos os dias.
Recolhe as lata e os recicláveis para levar, mas acho que aproveita outros itens que encontra junto. Manca de uma perna e tem os movimentos limitados em metade do corpo. Fico compadecida com o que vejo, mas não consigo sair da minha zona de conforto.
O que oferecer a ele? Como abordar? Aceitaria alguma ajuda?
Segue ele em sua marcha ceifante e eu, com os pensamentos embolados, o peito ceifado, tentando entender o motivo de tudo ser assim, incompreensível.
Para todos os assuntos que motivem conhecimento, reflexão, curiosidade e diversão. Escrever sem preocupações...
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Faça o teste

Quebrei mais um copo hoje.
Sem querer, num movimento brusco na pia, fiz do vidro vários pedaços.
No ranking olímpico na modalidade quebra de copos estou campeã aqui em casa.
Liderança avançada. Tô craque.
Acho que, para cada copo quebrado, um pouco da energia negativa depositada no indivíduo vai embora.
Funciona assim: transmissão de cargas pesadas da pessoa para o objeto que, não aguenta a pressão e se estilhaça. Pronto: menos energia ruim na gente. Pódio e medalha de ouro.
Num mundo cheio de cobranças, comparações, prazos e chateações sem fim, como não se contaminar? Então, mesmo sem querer, a gente fica meio "carregado"... Fato.
Sensação de cansaço extremo, sonolência desmedida, desânimo assustador... é, você já se contagiou.
Sugestão do dia: quebrar a vidraria da casa e espantar a uruca. Bora lá?
Mas como não dá para arcar com esse prejuízo alegremente, melhor seria pensar em outras opções.
Aqui, elenco algumas modalidades esportivas para se livrar do estresse:
1- Fingimento de demência: isto mesmo! Fazer de conta que o comentário ouvido não é pra você, não revidar provocações. Traz paz de espírito. Comprove!
2- Cuidado sincronizado da própria vida: esquecer a vida do outro, não se importar com a opinião alheia, não comentar e nem fazer fofocas...Faz um bem danado e afasta as negatividades. Vale a pena.
3- Levantamento de boas ideias: adotar uma ideia boa de alguém que ajude a solucionar problemas. Parabenizando é claro, o autor da proeza e dando os devidos créditos a ele. É libertador resolver pendências! Não importa de onde tenha vindo a resolutividade.
4- Corrida do Sono: sim! Corra atrás dele! Revigora, melhora a memória e principalmente o humor. È remédio.
5- Revezamento de amigos: pessoas e ambientes diferentes mudam nossa forma de enxergar o mundo. Vale a experiência.
6- Salto em distância de gente vampira: se for possível, mantenha distância das pessoas que sugam nossa vitalidade... Favores infinitos, perturbação sem fim... Corra longe.
Meditação, orações, banho relaxante também ajudam a curar a inhanha, embora não configurem atividades práticas citadas acima.
Dá pra continuar quebrando copos e pratos, se nenhuma outra opção agradar. E sim, dá uma leveza na alma... só experimentando pra saber a sensação de vitória.
Uns gritos de extravasamento também são libertadores. Solte o gogó sem culpa. Cante, mesmo que desafinado, esqueça o vizinho e ponha pra fora o Pavarotti que se esconde em você. Ou dance, com o som bem alto, assim, sem passos prontos, tudo de improviso. (Ah, como é bom!)
Massagem nas costas, pescoço, e pra quem gosta, nos pés entra na premiação dos mais - mais.
Se não quiser também, fica tudo certo. Ser feliz não é obrigação. A dica aqui é pra ficar em paz ( o que pra mim já é estágio de felicidade).
Há várias maneiras de abandonar o banzo. Faça o teste.
sexta-feira, 29 de julho de 2016
O fim do mundo
E hoje, então, seria o fim do mundo.
E foi. Pra muita gente...
Pra quem perdeu a vontade de ajudar,
Pela decepção que arruinou a confiança no ser humano,
Por aquele que viu uma oportunidade fugir.
Pela vontade de desistir de tudo,
Pelos planos desfeitos de tantos,
Pelas mentiras descobertas,
Pelas pessoas queridas que muitos viram partir,
Pelo fim de um amor,
Por uma aprovação que não veio,
Por uma notícia muito esperada que não chegou,
Pelo chão que se abriu,
Pelo prédio que caiu,
Pelos sonhos que ruíram,
Pelo dinheiro que faltou,
Pela doença que apareceu,
Pela dor que sufocou.
Sim, hoje foi o fim do mundo para muita gente...
E tantos outros dias de fim de mundo vão continuar surgindo.
Vale então profetizar o recomeço.
Quando tudo volta a ser de novo motivo pra comemorar?
Sugestão: começar do zero.
Que o novo mundo ressurja: cheio de confianças e certezas,
sem ódio e nem rancor.
Menos ressentimento, um pouquinho mais de amor e só: receita pronta.
Um mundo novo de pessoas sem cores, sem credos, sem diferenças que apartem.
Uma novidade que há tempos não nos visita mais: esperança,
Um sentimento bom que une e revigora, de honestidade e respeito.
Sem levar vantagem, sem "jeitinho", nem desfaçatez.
Começar com simplicidade e boa vontade, um pouquinho todo dia.
Refletindo atitudes e pensamentos, com consciência tranquila de trabalho bem feito.
Criemos, pois, hoje um novo mundo para todos.
Sugestão: comecemos do zero.

E foi. Pra muita gente...
Pra quem perdeu a vontade de ajudar,
Pela decepção que arruinou a confiança no ser humano,
Por aquele que viu uma oportunidade fugir.
Pela vontade de desistir de tudo,
Pelos planos desfeitos de tantos,
Pelas mentiras descobertas,
Pelas pessoas queridas que muitos viram partir,
Pelo fim de um amor,
Por uma aprovação que não veio,
Por uma notícia muito esperada que não chegou,
Pelo chão que se abriu,
Pelo prédio que caiu,
Pelos sonhos que ruíram,
Pelo dinheiro que faltou,
Pela doença que apareceu,
Pela dor que sufocou.
Sim, hoje foi o fim do mundo para muita gente...
E tantos outros dias de fim de mundo vão continuar surgindo.
Vale então profetizar o recomeço.
Quando tudo volta a ser de novo motivo pra comemorar?
Sugestão: começar do zero.
Que o novo mundo ressurja: cheio de confianças e certezas,
sem ódio e nem rancor.
Menos ressentimento, um pouquinho mais de amor e só: receita pronta.
Um mundo novo de pessoas sem cores, sem credos, sem diferenças que apartem.
Uma novidade que há tempos não nos visita mais: esperança,
Um sentimento bom que une e revigora, de honestidade e respeito.
Sem levar vantagem, sem "jeitinho", nem desfaçatez.
Começar com simplicidade e boa vontade, um pouquinho todo dia.
Refletindo atitudes e pensamentos, com consciência tranquila de trabalho bem feito.
Criemos, pois, hoje um novo mundo para todos.
Sugestão: comecemos do zero.
A volta

Voltei.
Todo mundo volta um dia ao lugar de onde partiu.
Senti saudades da escrita.
Estranhei que as ideias surgiam e não tinha onde reconhecê-las.
Mas o afastamento é necessário.
Para que se possa sentir que é chegada a hora do retorno.
É terapia, é reflexão, é desencanto desenhado.
Palavras que me fazem pensar melhor.
Parágrafos que me traduzem.
Voltei.
Embora sem prática e sem assunto.
De novo onde me acho.
Aqui me encontro, me desfaço.
Que novas emoções possam ser definidas.
Que novos traços se mostrem por aqui.
Meio tarde, muito cedo. Não sei.
Estou de volta. Feliz.
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
E só.
De verdade?
Nem imagino o motivo que faz-se acreditar num país melhor.
Literalmente envolvidos num mar de lama: do congresso á periferia.
Do desabrigado ao saqueador, do soterrado àquele que extorque do vizinho mais de 30 Reais de água...
Esperar melhora? Não mesmo.
Pelo sinal avançado, pela fila furada, pela carteira achada e não devolvida,
pela cola na prova, pela troco errado embolsado, enfim...
Pela propina, pelos "habeas corpus", pelos milhões desviados, pela falta de responsabilidade, pelo descaso com o próximo, principalmente se ele for pobre.
Na boa? Não tem jeito...
Pra quem se vende, sem leiloa, se corrompe, se entrega.
Pra quem se acha melhor por ser branco, preto, rico, hindu, cristão...
Pra quem pensa que religião salva...fim da linha.
Minha expectativa? Um fim próximo, logo ali na esquina, bem depois de amanhã.
Porque acredito que isso aqui já deu!
Esperando o fim das injustiças.
E só.
Nem imagino o motivo que faz-se acreditar num país melhor.
Literalmente envolvidos num mar de lama: do congresso á periferia.
Do desabrigado ao saqueador, do soterrado àquele que extorque do vizinho mais de 30 Reais de água...
Esperar melhora? Não mesmo.
Pelo sinal avançado, pela fila furada, pela carteira achada e não devolvida,
pela cola na prova, pela troco errado embolsado, enfim...
Pela propina, pelos "habeas corpus", pelos milhões desviados, pela falta de responsabilidade, pelo descaso com o próximo, principalmente se ele for pobre.
Na boa? Não tem jeito...
Pra quem se vende, sem leiloa, se corrompe, se entrega.
Pra quem se acha melhor por ser branco, preto, rico, hindu, cristão...
Pra quem pensa que religião salva...fim da linha.
Minha expectativa? Um fim próximo, logo ali na esquina, bem depois de amanhã.
Porque acredito que isso aqui já deu!
Esperando o fim das injustiças.
E só.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Amortecendo
O aprendiz pergunta ao Mestre:
- Senhor, o que seria então a morte?
A passagem de uma dimensão á outra?
Um fim? Um recomeço?
Um adormecer eterno?
O Mestre então responde:
- Filho, pode ser um suspiro profundo, num momento único, de entrega total..
A morte pode ser um sonho abortado, um abraço negado, uma oportunidade perdida...
Pode representar planos mutilados ou perguntas que nunca serão respondidas...
E pergunta novamente o aprendiz:
- Por que tememos tanto a morte?
Responde o sábio:
- Porque temos medo do desconhecido.
Embora passemos por pequenas mortes durante toda nossa existência, não a reconhecemos tal como ela é.
A cada desilusão se morre um pouco.
Cada decepção abriga em si um morrer pequeno.
As tristezas cultivam um desejo de morte.
O não viver em sua plenitude já é, de certo modo, morrer.
Logo, vivemos enlutados e não nos enxergamos enredados na morte.
Sempre e sempre a cada dia.
Somente pensamos nela num corpo sem vida.
O Aprendiz insiste:
- Mestre, como posso percebê-la e me preparar adequadamente para reconhecê-la?
O Mestre fica em silêncio. Busca um espelho e o coloca na frente do seu aluno.
- Cada vez que se olhar neste espelho irá ver que um pouco de vida ficou impregnado na imagem do dia anterior.
O dia seguinte trará sempre um pouco da morte do tempo que se foi.
A vida carrega em si seu próprio fim.
E então, me enluto pela alegria alheia sim, porque, para mim, representa uma grande tristeza. Pode ser este meu pequeno momento de morte. Pode ser o amortecimento de uma fase, para sempre.
Sem medo de ser julgada, na totalidade de minha humanidade mesquinha, no meu egoísmo gigantesco, que se inconforma com a injustiça dessa vida.
Mesmo sabendo que não é politicamente correto meu desejo, tampouco católico seja meu comportamento ou cristão meu pensamento, preferiria sim à morte que aquele "felizes para sempre".
- Senhor, o que seria então a morte?
A passagem de uma dimensão á outra?
Um fim? Um recomeço?
Um adormecer eterno?
O Mestre então responde:
- Filho, pode ser um suspiro profundo, num momento único, de entrega total..
A morte pode ser um sonho abortado, um abraço negado, uma oportunidade perdida...
Pode representar planos mutilados ou perguntas que nunca serão respondidas...
E pergunta novamente o aprendiz:
- Por que tememos tanto a morte?
Responde o sábio:
- Porque temos medo do desconhecido.
Embora passemos por pequenas mortes durante toda nossa existência, não a reconhecemos tal como ela é.
A cada desilusão se morre um pouco.
Cada decepção abriga em si um morrer pequeno.
As tristezas cultivam um desejo de morte.
O não viver em sua plenitude já é, de certo modo, morrer.
Logo, vivemos enlutados e não nos enxergamos enredados na morte.
Sempre e sempre a cada dia.
Somente pensamos nela num corpo sem vida.
O Aprendiz insiste:
- Mestre, como posso percebê-la e me preparar adequadamente para reconhecê-la?
O Mestre fica em silêncio. Busca um espelho e o coloca na frente do seu aluno.
- Cada vez que se olhar neste espelho irá ver que um pouco de vida ficou impregnado na imagem do dia anterior.
O dia seguinte trará sempre um pouco da morte do tempo que se foi.
A vida carrega em si seu próprio fim.
E então, me enluto pela alegria alheia sim, porque, para mim, representa uma grande tristeza. Pode ser este meu pequeno momento de morte. Pode ser o amortecimento de uma fase, para sempre.
Sem medo de ser julgada, na totalidade de minha humanidade mesquinha, no meu egoísmo gigantesco, que se inconforma com a injustiça dessa vida.
Mesmo sabendo que não é politicamente correto meu desejo, tampouco católico seja meu comportamento ou cristão meu pensamento, preferiria sim à morte que aquele "felizes para sempre".
domingo, 13 de setembro de 2015
Sem assunto
Tentei escrever muitas coisas. Tantas ideias..nada serviu, nada foi bom.
Quando a inspiração vinha, estava sem tempo, com preguiça de esboçar no papel a ideia e depois passar a limpo.
Então, esqueci o motivo e quando sentei, determinada, nada veio...
Ou o que veio, não serviu.. Nada está bom, nada serve. E agora?
Poderia falar do tempo ( tipo o inverno na primavera ou a falta de inverno), do tempo no sentido mais lúdico de significado ( tipo a forma maluca que ele voa, a falta de tempo para se fazer o que se precisa, etc e tal) ou até mesmo do tempo que não tenho mais (projetos engavetados, planos perdidos, desistências da vida). Mas falar de tempo é meio clichê. Quero não.
Poderia falar das notícias bizarras nos jornais, de pais que matam filhos e escondem no freezer, chacinas e refugiados de guerra, mas ando tão estarrecida com esses fatos que tenho preferido não aceitar essa realidade. Não por agora.
Poderia escrever sobre o teste do meteoro do Fantástico, mas acredito que há bem mais chances de outras coisas caírem na minha cabeça no momento, tipo a segunda-feira (que é amanhã) e seu golpe feroz que me aplica toda semana. A segunda é um soco na cara. Ah, é.
Poderia relatar experiências estranhas e gente surreal que vi passar por mim, do papo sem noção do porteiro, do que vi e preferi calar, do que cogitei mas não quis saber, do que imaginei mas não comprovei. Mas não tô na vibe. Hoje não.
Poderia dizer da falta de vontade de conhecer pessoas ou de conviver com algumas que já conheço. Cadê a borracha de gente? Cadê a amnésia seletiva? Vamos inventar,por favor!
Poderia contar das mentiras que ando me permitindo dizer ( quando falo que já tenho o cartão da loja pra vendedora, ou digo que não fui a um evento pois estava em outro por obrigação e conto a mesma história pro evento da obrigação, ficando em casa e indo a nenhum!) ou falar das pessoas indesejadas que finjo não ver para não ter que cumprimentar ( olhando o celular, procurando algo inusitado na bolsa, prendendo o cabelo ou ajeitando o sapato que tá ótimo no lugar). Falemos a verdade: Quem nunca? Mas não posso me denegrir. Não hoje.
Poderia dizer dos quilos que ganhei, da estranheza em (tentar) vestir roupas que não mais me cabem (não me recordava de situação igual vivida) e entender que as fases mudam e com elas a gente também.
Roupas que não cabem, pensamentos que não servem não mais também. Papo chato!!
Poderia contar dos projetos fracassados, de vontades absurdas e ideias insanas. Tô dizendo que os pensamentos nem sempre servem mais? Pois é.
Poderia falar da preguiça ( que tenho de encarar este mundo torto!), da fase antissocial infinita( quase ostracismo), da crise econômica, da crise de valores (que pra mim é bem pior que a econômica!), da falta de amor em tudo (nas relações pessoais e profissionais), mas não quero aceitar essa realidade. Não por agora, num domingo á noite.
Poderia esperar minha intuição me chamar e apontar uma solução mágica para tudo: diagnósticos, contas, horários, tempo, sono. simpatia...
Poderia esperar a inspiração pousar por essas bandas... mas tenho pressa, que esta prosa não pode esperar.
Poderia contar que espero que a semana venha com mais notícias boas que más e que se possa dizer mais elogios que críticas, mais histórias felizes que desgraças. Poderia ter escrito uma oração com menos "quês".
Mas no momento não dá. Nada serve, nada fica bom.
Sigo apagando o que escrevo, escolhendo o assunto sem conseguir terminar.
Espera aí... qual era mesmo o tema da conversa?
Não sei, não tem, nunca vou saber.
Vou dar tchau pro domingo.
Quando a inspiração vinha, estava sem tempo, com preguiça de esboçar no papel a ideia e depois passar a limpo.
Então, esqueci o motivo e quando sentei, determinada, nada veio...
Ou o que veio, não serviu.. Nada está bom, nada serve. E agora?
Poderia falar do tempo ( tipo o inverno na primavera ou a falta de inverno), do tempo no sentido mais lúdico de significado ( tipo a forma maluca que ele voa, a falta de tempo para se fazer o que se precisa, etc e tal) ou até mesmo do tempo que não tenho mais (projetos engavetados, planos perdidos, desistências da vida). Mas falar de tempo é meio clichê. Quero não.
Poderia falar das notícias bizarras nos jornais, de pais que matam filhos e escondem no freezer, chacinas e refugiados de guerra, mas ando tão estarrecida com esses fatos que tenho preferido não aceitar essa realidade. Não por agora.
Poderia escrever sobre o teste do meteoro do Fantástico, mas acredito que há bem mais chances de outras coisas caírem na minha cabeça no momento, tipo a segunda-feira (que é amanhã) e seu golpe feroz que me aplica toda semana. A segunda é um soco na cara. Ah, é.
Poderia relatar experiências estranhas e gente surreal que vi passar por mim, do papo sem noção do porteiro, do que vi e preferi calar, do que cogitei mas não quis saber, do que imaginei mas não comprovei. Mas não tô na vibe. Hoje não.
Poderia dizer da falta de vontade de conhecer pessoas ou de conviver com algumas que já conheço. Cadê a borracha de gente? Cadê a amnésia seletiva? Vamos inventar,por favor!
Poderia contar das mentiras que ando me permitindo dizer ( quando falo que já tenho o cartão da loja pra vendedora, ou digo que não fui a um evento pois estava em outro por obrigação e conto a mesma história pro evento da obrigação, ficando em casa e indo a nenhum!) ou falar das pessoas indesejadas que finjo não ver para não ter que cumprimentar ( olhando o celular, procurando algo inusitado na bolsa, prendendo o cabelo ou ajeitando o sapato que tá ótimo no lugar). Falemos a verdade: Quem nunca? Mas não posso me denegrir. Não hoje.
Poderia dizer dos quilos que ganhei, da estranheza em (tentar) vestir roupas que não mais me cabem (não me recordava de situação igual vivida) e entender que as fases mudam e com elas a gente também.
Roupas que não cabem, pensamentos que não servem não mais também. Papo chato!!
Poderia contar dos projetos fracassados, de vontades absurdas e ideias insanas. Tô dizendo que os pensamentos nem sempre servem mais? Pois é.
Poderia falar da preguiça ( que tenho de encarar este mundo torto!), da fase antissocial infinita( quase ostracismo), da crise econômica, da crise de valores (que pra mim é bem pior que a econômica!), da falta de amor em tudo (nas relações pessoais e profissionais), mas não quero aceitar essa realidade. Não por agora, num domingo á noite.
Poderia esperar minha intuição me chamar e apontar uma solução mágica para tudo: diagnósticos, contas, horários, tempo, sono. simpatia...
Poderia esperar a inspiração pousar por essas bandas... mas tenho pressa, que esta prosa não pode esperar.
Poderia contar que espero que a semana venha com mais notícias boas que más e que se possa dizer mais elogios que críticas, mais histórias felizes que desgraças. Poderia ter escrito uma oração com menos "quês".
Mas no momento não dá. Nada serve, nada fica bom.
Sigo apagando o que escrevo, escolhendo o assunto sem conseguir terminar.
Espera aí... qual era mesmo o tema da conversa?
Não sei, não tem, nunca vou saber.
Vou dar tchau pro domingo.
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