sábado, 7 de setembro de 2013

"Ou ficar á Pátria livre ou morrer pelo Brasil"

Sete de setembro não é um feriado qualquer.
Acredito que seja praticamente um retiro espiritual.
Um momento único de reflexão sobre o país em que vivemos, 
como desejamos que ele seja e o que faremos para que a realidade se transforme.
Não há motivos de comemoração, porque não há independência para se festejar.
Não há liberdade raiando no horizonte do Brasil.
Vivemos numa ditadura que se disfarça de República.
Temos governantes que outorgam suas decisões e somos obrigados a aceitar, sem questionamentos, as mudanças que são impostas.
Moramos num país que se diz livre, mas que revida com violência as manifestações públicas.
Temos liberdade de expressão, mas toda vez que a expressão desagrada alguém, somos convidados a retirar, excluir ou modificar o motivo da insatisfação.
Podemos falar e fazer o que quisermos, desde quer  não macule a imagem pura e santa do país, ilibada por tanta honestidade e perfeição.
País livre que faz com que a população viva presa em casa, atrás das grades, porque a violência das ruas é gigantesca e limita o direito de ir e vir com segurança.
País independente e democrata, que subsidia o Socialismo e compactua com o trabalho escravo.
Independência que condena seus filhos á ignorância  por manter um sistema de educação fraco e de estatísticas maquiadas. Onde não existe reprovação nem evasão escolar, mas também não há aprendizado.
País que trata seu filhos como servos.
Nação de expectativas reduzidas para o povo, saúde doente, justiça injusta, grandes gastos com poucos e muita falta de recursos para uma multidão.
País de ginásios lindos e hospitais feios. 
Escolas caindo aos pedaços, professores mal remunerados, policiais e bombeiros franciscanos (que vivem de caridade), jovens drogados, adolescentes marginais, população ignorante e votos de cabresto.
Cento e noventa e um anos se passaram e continuamos colônia, massa de domínio alheia, mão de obra barata explorada por uns poucos.
Brava gente que não é assim tão brava, que prefere não se indispor, mas que pouco a pouco vem percebendo que o "temor servil" não resolve os problemas.
Filhos da Pátria que não são tratados de forma gentil.
Hoje é dia de pensar em mudanças concretas a curto e longo prazos.
Dia de pensar que " a Pátria livre" deve ser mais honesta, que a corrupção deve ser banida e o povo mais bem tratado.
Que "morrer pelo Brasil" signifique dar á vida por uma causa nobre da nação e não perdê-la de forma torpe e vil, como se assiste todos os dias pelo país afora, na tv.
Que colocar a nação no eixo seja motivo de empenho.
Que tenhamos orgulho da nossa terra e do nosso povo e que a independência de fato se concretize.
Ergamos nossas espadas e iniciemos a revolução!




quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Prosa




Sempre surgia alguém.
Sem hora marcada, na maioria das vezes,
sem um assunto específico,
sem um motivo nobre,
sem uma mobilização urgente.
Sempre aparecia alguém: um vizinho, um parente, um conhecido ou até um desconhecido mesmo.
Era um café, um lanche, uma goiaba no pé, um telefonema, um favor, uma xícara de açúcar, um tantinho de trigo.
Sempre aparecia alguém para a prosa.
Conversa desinteressada, mas não desinteressante.
Presença inesperada, mas nem por isso desconcertante.
Gente humilde, assuntos triviais, nada de mais.
Mas sempre surgia alguém para uma prosa,
assim, face a face, sentado ao lado, na varanda, na calçada.
Podia ser assunto de ontem, de anteontem ou de amanhã.
Conversinha, confissões, mas ditas, mal ou bem ditas, pessoalmente.
Sempre alguém com um conto, uma piada, um favor, um pedido.
Sempre um motivo de prosa sem motivo.
Hoje eu quis uma prosa assim: de perto.
Mas o mais próximo que havia era o celular ou o telefone fixo, o computador e a televisão.
Quis conversa á toa, mas a ocupação me calou, o trabalho falou por mim e eu sucumbi ao cansaço, á preguiça de ser eu.
Hoje eu quis verso e prosa ao vivo e á cores.
Sem aparatos, sem delongas, sem nada marcado.
Conversa boa, sem preocupar com o tempo ou espaço,
com o preço da ligação ou a carga da bateria.
Só um dedo de prosa, como antes.
Saudade incrível de um tempo que se foi...

domingo, 1 de setembro de 2013

Ah, Setembro!



Ah, Setembro!
Se bem me lembro,
fica por sua conta o encantamento!
Fica a seu critério o estabelecimento de um pouco mais de paz.
Espero além da primavera.
Espero outra era.
Uns dias regados a mais frescor e luz.
Espero mais que flores.
Espero fim dos horrores das guerras, 
das armas químícas,
das vitimas do ódio e da violência,
que em qualquer parte do mundo
estraga a expectativa de um tempo melhor.
Anseio por semanas mais firmes,
por desejos mais fortes,
por decisões mais nobres
e por momentos mais sãos.
Aguardo as mudanças nos olhos
e nos pensamentos daqueles
que ainda não descobriram 
a grandeza do perdão.
Quero que traga de volta o sossego.
Que leve de vez os meus medos.
Que a ansiedade se desmonte,
que eu acredite de novo na mudança
e na capacidade de adaptação.
Que traga uma brisa de boas surpresas,
um vento forte de novidades,
chuva de notícias felizes
e tempo firme de prosperidade.
Ah, não esqueça de guardar os segredos
aqueles mesmos que contei em oração.
Que a vida prossiga mansa,
que a gente não se canse de planejar e sonhar.
Que setembro seja de bom agouro
para quem assim acreditar.


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Terça Insana

Terça insana.
Resolvi chamar assim.
Dia corrido, as horas não me ajudam.
O dia me vampiriza e quando a noite chega, eu já fui.
Restando apenas a sombra de mim.
Ontem foi dia de tudo.
De criança com doença grave, de menino que tinha nada,
de plano com carência, de urgência no segundo derradeiro de ir embora,
de passeio no Hospital-Shopping.
Não tem problema.
Todo mundo foi bem atendido.
Com educação, presteza e gentileza, independente da causa e motivo.
Por quê?
Porque eu quis assim.
Resolvi que assim deve ser.
Eu sou a parte sadia, física e mentalmente, dessa relação.
Eu sou a parte que ri.
Já tem muita gente chorando neste mundo!
E pra terminar a saga e mostrar que as orações mostram sucesso, eis que no começo da tarde
entra na sala uma mulher com um bebê no colo e pergunta:
- É você quem vai me atender?
Respondi:
-Sim.
-Você é a pediatra?
-Sim, sou eu.
-Que gracinha! Tão novinha e já é médica!
Ela vira para a criança de menos de um mês no colo e diz:
- Olha, filho, que bonitinha a sua médica! Que gracinha que ela é!
E eu, de cabelo bagunçado e máscara pendurada no pescoço só tenho uma coisa a fazer:
rir da terça insana!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Segunda de opção

Hoje, carente de:
Relógio de minutos infinitos,
estrada sem trânsito algum
Paciência de Jó
Humor de bom humor
Sono amigo
Sonho mais que amigo
Descanso pros ombros
Fuga pra mente
Castigo pra quem mente
Respiração profunda
Viagem até a infância
Chave pra cadeado no peito
Tesoura pra planos malucos
Martelo pra despertador
Celular invisível
Abraços gigantes
Choro mudo
Cicuta nos meus pensamentos
Fé para aguentar firme.
Firmeza para não sucumbir
Silêncio pra entender o nada.
Nada que me faça sofrer.
Sofrimento de novela.
Quando desligar a tv, já era!



domingo, 25 de agosto de 2013

Confissões de agosto

Ando orgulhosa de mim.
Surpresa ao me enxergar enfrentando os medos mais antigos (com a dignidade e a coragem nunca antes imaginada), tirando de letras problemas de convívio no trabalho (mesmo com a indignação estrangulando a própria garganta e quase fazendo o mesmo na garganta alheia) e superando as decepções tão doloridas que agosto me trouxe (e como!).
Confesso que nem sei de onde surgiram as respostas para o que, de repente, se fez pronto.
Chorei, mas me libertei.
Dividi angústias e me senti mais leve.
Aprendi que carregar o fardo sozinha não é atitude das mais corajosas.
Às vezes,  torna-se covardia o medo de compartilhar.
Não faz bem equilibrar o mundo nas costas. 
Aceitei o incompreensível, até mesmo o inaceitável pra muitos.
Ainda descobrindo as consequências dessas respostas.
Detestando o efeito da ansiedade sobre meu sono.
Para quem se acha calma e tranquila, levar uma rasteira de si mesma é o golpe maior.
Quero voltar a dormir com a leveza que sempre me acompanhou.
Mas preciso saber onde piso pra depois descansar.
Tentando entender a demanda da vida pra mim, o que me custa o sono e uma expectativa gigante!
Tentando decifrar as incógnitas, que juro, estão longe de se fazerem ler!
Em agosto abracei a amizade, esqueci os traumas. Ou ao menos tentei.
Resisti, persisti e venci: sem recaídas, sem deslizes, por mais que o coração me envolvesse e tentasse convencer do contrário.
Não sucumbi ao pedidos mais íntimos. 
Não voltei ao comportamento doentio de antes. Curei!
Ando orgulhosa de mim: Agosto me fez dançar. 
Senti um bem estar indescritível que nem o cansaço da semana conseguiu derrubar.
O mês ainda não terminou e sei que os dias que virão, com certeza me trarão mais surpresas.
Mas continuo orgulhosa de mim, por que nunca fui tantas assim: indecisa, corajosa, descrente, firme, chorosa, alegre, pronta e inacabada.
Orgulhosa por ser assim, imperfeita.
Aceitar-se é o primeiro passo para ser uma pessoa melhor.
Feliz por estar no caminho.



domingo, 11 de agosto de 2013

Já paguei!

Paguei meus pecados, sem dúvida.
Noite mal dormida de véspera, com direito a festinha no andar de cima até altas horas,
ligação de interfone pedindo pra abaixar o som (ai que velha!),
alarme de carro acionado madrugada a dentro sem um dono sequer se mobilizar para desligá-lo,
e despertar cedo - muito cedo para quem dormiu tão pouco- e encarar uma viagem em temperaturas congelantes para meu pobre coxim adiposo. (Maldito ar!)
A volta: ônibus lotado, poltrona na frente do banheiro, um calor insuportável, choro e choro na orelha, um cheiro medonho e um moço de gosto musical duvidoso ouvindo funk em volume elevado no celular e se fingindo de besta, quando eu pedia pra abaixar o volume. 
Interminável viagem!
Valeu? Muito.
Missa de manhã cedinho com meu pai, almoço em família, com direito a roubar batata-frita do prato alheio.
Cochilo de tarde, tv e edredom sábado á noite, leitura do jornal na mesa do café, picolé de sobremesa e suco de fruta natural.
Já que expiei meus pecados, penitenciei meus erros, aproveitei sem culpa tudo que um dia ligeiro de permanência me proporcionou.
De alma lavada e espírito contrito, começo a semana mais leve.
Conta paga, sem dívidas.