domingo, 12 de fevereiro de 2012

Todo ano

Todo início de ano é igual: fazemos planos, listamos mudanças, nos propomos melhorias na aparênica, no trabalho, em casa, enfim, começamos com o intuito de revolucionar a vida.
Janeiro vem meio moroso, como quem começa já cansado do fim do ano passado.
E aí, percebemos que instaurar as mudanças nesta época é um pouco difícil.
Tem férias, horário de verão, calor, programação estendida...
Tudo contra a inauguração da lista de ano novo!
Então, espera-se fevereiro, que chega já em ritmo de festa. 
O carnaval abole uma semana inteira do calendário de um mês com menos de 30 dias!
Mais alteração de horário, programações de verão e festejos.
Melhor esperar por março.
Então, dá-se conta de que 3 meses já transcorreram e nada da tal mudança se concretizar.
Até porque, a manutenção da lerdeza torna difícil a escapadela da condição, mesmo com muito esforço...
E assim vamos seguindo, abril, maio, junho. 
Muita gente não se dá conta que os meses voam, mas a lista continua lá, intocada.
Para que os outros 6 meses passem, basta piscar os olhos! E pronto: fim de outro ano novamente.
Quem não ficar esperto desta vez pode ficar com os planos embrulhados e as mudanças engavetadas.
Correndo contra o relógio e vendo os dias passar como cometas: assim estamos nós neste  2012...

Quem pode entender?

Eu tenho medo deste marasmo imenso que de repente se instala na vida da gente.
Sempre acho que precede a catástrofe.
Pode ser invenção da minha mente novelesca, 
ou pensamento gerado pela minha vontade  avassaladora de ficar só comigo ultimamente...
(é, ando detestando gente...)
Fase antissocial demorada, que se recusa a passar.
Talvez por isso, encimesmada em mim, fique imaginando que essa sensação vazia,
de nada que acontece, de falta de vento e notícias antecipe a desgraça.
Tomara que seja apenas idéia besta, dessas que insiste em vir á tona na cabeça.
Até porque, meu medo existe e me deixa ansiosa, á espreita do que ainda pode surgir...
Acho mesmo que não estou acostumada a não viver grandes problemas.
Por isso, quando a mansidão aparece, fico imaginando coisas, pensando que tem algo de errado no ar...
Se a carga nos ombros é pesada, fica a sensação de carregar cangalha mesmo quando as costas estão vazias.
È assim: assombração de problemas dia e noite.
E sigo eu, atormentada quando tudo está bem e quando não.
Quem pode entender?

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Hipocrisia



O dicionário diz que a palavra hipocrisia significa manifestação de fingidas virtudes, sentimentos bons, devoção. Na verdade, que dizer mesmo fingimento, falsidade.
Acredito que não há nada no mundo que me cause mais desconforto, mesmo convivendo com essa palavrinha diariamente e passando por situações em que frequentemente ela se manifesta das formas mais inusitadas possíveis.
Realmente, ainda não me acostumei. A hipocrisia ainda não é minha amiga.
È minha vizinha, porque cada vez que encontro com um cidadão que mora no mesmo prédio que eu, num apartamento semelhante ao meu, divide comigo o elevador, bem como as áreas de circulação comum e, se nega a responder um simples "bom dia" ou finge que não viu ou ouviu a interpelação, no mínimo está sendo hipócrita. Não comigo; Comigo, ele está sendo mal educado. A apresentação de hipocrisia que eu assisto é dele para com ele mesmo. Tá fingindo pra quem?
A hipocrisia é colega. Sabe como? Outro exemplo comum: aquele amigo que fica meses sem ligar, nem dá sinal de vida, mas que ao reecontrá-lo, na frente de outras pesoas, finge saudade, abre os braços num âgulo obtuso de satisfação e prazer. Sim; ele está sendo hipócrita. Fingiu sentimentos bons! Se a saudade fosse realmente assim enorme, ele teria ligado ou lhe procurado antes, não é mesmo?
Mais um? A hipocrisia masculina: diminui  a figura feminina ao menosprezar relacionamentos sérios, casamento, fidelidade e filhos e depois, já com as escovas de dentes dividindo o mesmo espaço, diz que não saberia viver sem a "Fulana", que não se imagina sozinho na vida e que está muito feliz com a chegada dos filhos. E nem acho que seja mentira essa felicidade. Mas a primeira parte da história é totalmente fake. Por que não aceitar, desde o começo, que queria sim estar casado e que sonhava sempre em ser pai? Pura hipocrisia!
 A hipocrisia trabalha com a gente: naquele colega de serviço que finge satisfação ao ter que levar trabalho pra casa ou ter o fim de semana de folga interrompido por causa do chefe e mesmo assim pintar cara de felicidade.
A hipocrisia existe no elogio falso, nas palavras disfarçadas, nos risinhos amarelos.
A hipocrisia é vilã. Ela colore as máscaras que fazem as realidades se transformarem em mentiras absolutas.
A hipocrisia é cupim: destrói por dentro a mais nobre madeira e a transforma em pó, tronco oco e sem função.
A hipocrisia é um veneno, colocado todo dia, em doses pequenas no café de alguém. Intoxica, impregna, corrompe, vicia sem perceber.
Eu sei que não temos muita intimidade e  não faço questão alguma de aproximação. Não, não!
Mas tenho muito medo da contaminação. Ah, se tenho!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Ai que calor!

Gosto do verão. Ou gostava. Ainda não sei.
Este calor anda me tostando os miolos!
Sei que gosto mais mesmo é da primavera.Nem tão quente, nem tão frio.
O outono é bem vindo, mas o inverno me aborrece um pouco...
Entretanto, tenho me questionado se este calor de hoje é mesmo normal...
E da profundidade do meu entendimento de verão e calor (provenientes do norte do Estado, onde à sombra 35ºC é o habitual  de quase o ano inteiro), percebo que a sensação de calor é absurdamente maior do que aquela que minha lembrança de infância consegue resgatar...
Pode ser que os banhos de mangueira nos fundos do quintal, 
as brincadeiras com água tenham camuflado a verdadeira faceta do verão- que lá é indiscutivelmente muito quente.
Só sei que me recordo de não sofrer tanto com o calor como agora...
Os passeios de bicicleta,  as brincadeiras ao ar livre, mesmo sob o sol, pareciam mais leves, menos suadas... 
Talvez isso explique a simpatia que tinha com esta estação do ano.
Eram dias de brincadeiras frescas, de banhos demorados, de frutas e sucos, 
de picolés e sorvetes, de férias e descanso.
Agora, que as férias entraram em recesso, que as frutas não ficam mais no quintal, 
que o supermercado fica a anos-luz de calor da minha casa, que o sorvete e o picolé já não estão mais no congelador á disposição como antes, o verão tenha se mostrado como ele é: cruel e pegajoso!
Tinha muito mais encanto naquela época...
Ai que calor!


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Desabafo

Ando chateada.
Mais comigo que com o resto do mundo, 
mas acredito que sobre culpa para todos, neste momento.
Acho que julgo mal. Acredito muito, espero mais ainda e recebo só migalhas.
Pedaços tão pequenos que nem sequer existem de verdade.
Procuro, faço-me presente, mas sempre estou sobrando...
E minha chateação é só minha.
Nem faço questão de dividir. O que conto aqui é apenas desabafo...
Chateada por ser enganada: do encanador que veio ver a privada e não resolveu o defeito até a promessa não cumprida de um governante num dia desses qualquer.
Enganada por quem jura amizade e se escafede como um estranho, 
por quem promete um amor que acaba por telefone, 
por quem promete um emprego de salário de fome,
por quem exige bom atendimento e deixa a educação em casa.
Chateações sem propósito. Nem sei por qual motivo deveriam existir.
Chateada com as falsas conversas, com os comportamentos dissimulados,
com os de caráter montado, com os preços das pessoas... Sim, elas têm um.
Enganada pela previsão do tempo, pela garantia do aparelho,
pelo convite que nunca será feito, pela presença anunciada que não aparece.
Chateada. Sem  vontade até de terminar isto aqui.


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Espero

Eu espero.
Já estive mais ansiosa, outrora, mas acredito que o tempo também ensina a esperar.
Mais conformada agora. Quase resignada. Ando resiliente.
Tenho aprendido que meus desejos não movem a vida. Impulsionam o movimento, é bem verdade.
Mas sozinhos não conseguem mudar os destinos.
Por isso me detive a observar e agir quando for preciso.
Eu espero. 
Aguardo mais atenção, mais disposição, mais vibração, mais alegria.
Espero mais música, mais descontração, mais tolerância a cada dia.
Sei que tenho desanimado frente a certa rotina que me escraviza,
mas espero, confiante, na mudança que se aproxima. 
E virá. Em breve. 
Sento e aguardo as cenas do próximo capitulo. Como expectador que só saberá o desfecho no dia seguinte. Estou assim.
Esperançosa pelo movimento. Ansiosa pela novidade. 
A água parada me incomoda, mas preciso esperar o movimento da maré.
Espero a minha revolução, que vem de forma súbita.
Espero a minha fase de reclusão passar, pois ainda vivo o estágio do desencanto.
Espero, em breve, voltar a ter ilusões. Sim, se vive delas! Fazem a vida mais bela e leve.
Tem que ter apenas o cuidado de não cair das nuvens. E só.
Espero.
Eu aprendi a esperar. 
Com menos sofrimento, com mais argumento, mais inteira, menos perdida.
Espero a preguiça passar, aguardo a falta de metas sumir para  voltar.
Espero pelas desaparecidas companhias, as viagens não concretizadas e os planos expirarem.
Ando a esperar.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A partir de uma conversa

È inútil pensar que pode-se consertar o mundo.
Os cacos estão aí espalhados faz tempo e, de tão miúdos, já não se fazem enxergar...
È ilusão pensar que resolveremos todos os problemas que surgem... Nem os nossos, nem os dos outros!
Ainda mais se eles fazem parte de uma sucessão de acontecimentos que a história de vida de alguém criou...
Não precisa se sentir culpado por não querer, tampouco por não aceitar o que a vida lhe oferta.
Nem sempre amamos o belo, nem escolhemos o mais inteligente ou lucrativo.
Não gostar do fracasso ou do fracassado não torna alguém um algoz.
Não querer o diferente não torna alguém discriminatório...
Não é preciso se sentir mal por não poder oferecer amor e sim amizade. Pior é oferecer nada.
Nem não aceitar o amor do outro quando este se torna insuficiente pra si mesmo.
Piedade não é amor. Comodismo não é segurança. Aceitar nem sempre é gostar. E gostar é, muitas vezes, deixar ir.
Seguir o próprio destino pode ser desfazer laços, soltar amarras.
Não dá pra desfazer nós que não criamos, nem consertar traumas de uma vida inteira que brotaram não se sabe como...
A partir de uma conversa, assim, sem grandes pretensões, percebi que nos encarregamos de funções que não nos cabem, nos outorgamos importâncias que não temos e tememos as reações do outro, que não nos pertence.
È sempre difícil fazer escolhas. Principalmente se elas modificam por completo os caminhos seguintes.