quarta-feira, 16 de junho de 2010

Passarinho

Colibri que passa de flor em flor ao sabor do vento...
Não me peça pra pousar, porque não conseguirei.
O céu é minha casa e o espaço é meu território.
Preciso do ar no rosto pra espalhar meu canto.
Não há como me querer em uma gaiola.
Preciso de janela aberta pra sentir o chamado...
Não há como exigir particularidade: vou aonde houver flores.
Onde existir néctar, onde couber minhas asas e meu som.
Não espere visitas diárias: eu escapo do controle.
Não deseje a ave só pra você. Ela faz parte do todo.
Ela é inseparável do ar.
Passarinho voa se a aproximação é grande.
Procura o alto se quiserem lhe manter entre as mãos.
A beleza do vôo está na liberdade.
A liberdade é quem determina o caminho a voar.
Causa e consequência.
Não haverá felicidade em asas presas.
O futuro não existe sem o vôo do presente.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Pós-plantão

Dói o pescoço, a garganta, o dorso.
Mas a sensação é de dever cumprido.
Noite e dia compridos, mas bem findados.
Acredito que trago comigo a capacidade de fazer o bem
mesmo que o corpo padeça pelo excesso...
Peço apenas um pouco mais de coragem
E um tanto mais de vontade
Para que não desmorone com o tempo
a sensação de que tudo foi resolvido.
Não tenho super poderes
Nem capa que promova o vôo
Tampouco asas ou força descomunal.
Só o sentimento de que posso ajudar um pouco.
E depois, a dor e desconforto
cedem ao cansaço gostoso, aquele que o corpo pesa
e os olhos cerram pedindo repouso.
Só isso basta para valer.

domingo, 13 de junho de 2010

Paz de espírito

Estar em paz consigo é a mais bela forma de felicidade.
Tranquilidade, serenidade
Viver sem alarde, sem alarmes
Experimentar calmamente a evolução lenta, porém breve dos momentos
Boas conversas, boa companhia
Sono tranquilo, trabalho produtivo
Há prazos e datas
Mas a mente consegue estabelecer as metas
Mesmo se houver atrasos, há também recuperação do tempo
Faz tempo que procuro esta estabilidade
Procuro por sossego e paz de espírito
Chega enfim o momento...

sábado, 12 de junho de 2010

Para Victor

Ilustríssimo cavalheiro,
Sorte imensa desta dama encontrar tanta nobreza
Diante de tanta discórdia e desavença
Deparo-me com alguém de alma rica e espírito corajoso.
De novo começo a crer que algo de precioso a mim está reservado.
Espero, ao seu lado, desfrutar de grandiosos momentos
Simples, mas intensos, cheios do que há de mais puro e genuíno no mundo.
Entrego-te a peça delicada que trago no peito
que sutilmente, ao lembrar-me de ti, atrapalha-me o pensamento
Peço que cuide dela ao seu jeito
Que zele por ela e a proteja.
Com certeza, sei que se encontra em mãos cuidadosas.
Acredito que será bem guardada e protegida
em seus pensamentos, em seus braços, em sua vida.
Agradeço-te a sorte que a vida a mim oferece.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Herança

Recebi uma herança.
Está nos traços do meu rosto.
Está no escuro do meu olho.
Está no meu modo de falar.
Traço genético imperfeito: é meu jeito de dizer e de pensar.
Não pude determinar qual meu tamanho.
Mas posso definir a dimensão do meu sonho.
Não pude escolher o sorriso que tenho.
Apenas determino onde e como vou sorrir.
Se de dentro pra fora ou de fora pra dentro.
Não optei pela cor que o sol queima
Nem pelas efélides que mancham meu nariz.
Mas escolho aonde ele aponta.
E faço as contas de como ser feliz mesmo assim.
Apenas aceitei a herança.
De não saber onde se pisa.
De ver de perto as pessoas
E me divertir com elas.
Escolhi a herança que pretendo deixar:
Um cheiro de chuva caindo na terra seca,
Uma saudade, uma suspeita
Um abraço forte e um aceno fraco
Uma gargalhada que se ouve longe
Um enigma pra alguém advinhar.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Para os meus amigos

Ah, os amigos...
São pequenas contas de um colar valiosíssimo.
Entretanto, se não estiverem unidas, não dão forma ao adereço
Perdem seu preço e o colar não existe mais.
São irmãos e primos que nos permitimos escolher.
Não comungam de laços de sangue; são enovelados de laços de vidas.
São pequenos grãos de areia que formam grandes dunas.
São colagens de figuras que ilustram o álbum da existência.
São convites de festa.
São ingressos pro nada.
Amigos são almoço e jantar da alma.
Sobremesa do espírito e deleite pro repouso.
São abraços de pai e de mãe camuflados.
Sem o peso das cobranças, sem o olhar que condena ou que pune.
È passagem pra Terra do Nunca.
Com retorno pra Terra do sempre: sempre presente, sempre do lado, constante confidente, cúmplice e conivente.
São brinquedos que sonhamos em ganhar.
E que jamais esqueceremos na estante.
São sorrisos e olhares, gargalhadas e lágrimas que transformam a nossa face.
E há quem ache que nunca mais seremos os mesmos depois de experimentar tão grande segredo: ser você no outro que é ele mesmo em você.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Lá vem a Copa!

Ninguém mais pensa em eleição, nos valores altos dos impostos, no preço do combustível, na crise, na violência urbana, nas enchentes e corrupções.
È ano de copa! O que mais importa?
Os acontecimentos vão sofrer uma pausa.
Nada atinge os jogos do mundo!
Tudo vira inspiração: roupas, adereços, varandas e carros com bandeiras.
A bandeira nacional nunca é tão usada como nesta época!
Depois, volta a ser pano de chão.