sábado, 15 de maio de 2010

Rapidinho

Ando compulsiva.
Quase eufórica.
Corro perigo.
Há muitos riscos.
Mas não é tão ruim assim.
Há mais felicidade.
Há mais vontade de acordar.
Menos motivos pra dormir.
Muitas buscas, várias contas, algumas compras.
Pensamento ligeiro.
Reparo em tantos detalhes que nem consigo me concentrar.
Tenho fome.
Almejo saciedade de tempo, de gente, de afeto.
Quero solucionar tudo rápido.
Não posso demorar...
Ando mais tolerante.
Tolerância é a palavra do século.
Ando menos úmida de emoções e mais arejada de sorrisos.
Mas quero outros quadros...
Essas imagens antigas já não me fazem sonhar...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Enigma

Tenho assistido a tudo atentamente e tentado tirar conclusões que me sirvam de experiência para o futuro.
Mas o que enxergo agora é escuro e a visão embaçada não me permite reconhecer as figuras.
Vejo pessoas que obedecem ordens caladas e não questionam se a respiração lhe é permitida ou automática.
Gente que some, que desaparece e não dá mais notícias. O que acontece afinal?
Vejo vários modos de preparação de matrimônio: cuidadosa, desinteressada, obrigatória, empolgante... Qual deveria mesmo ser?
Assisto a filhos que nascem e famílias que se esfacelam.
Vejo a necessidade de doença e ausência de saúde.
O sol que surge e some num mesmo instante e a chuva que cai e refresca o tempo louco.
Vejo uma haste que se quebra, um ícone que não aparece, uma resposta que não é dada- e por isso já é uma forma de resposta.
Pilhas de roupas, caixas de sapatos, cabides guardados.
Classificados, apartamentos, planilhas e custos, contas e gastos.
Vejo o dia. Assisto a noite chegar.
Leio revista, livros e jornais.Procuro informações. È o que devo fazer?
Enxergo o meu sono diurno e escuto o pensamento noturno.
Não consegui ainda definir a mensagem.
Preciso de ajuda pra decifrar o enigma.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Era ela

Começo a entender agora como ela se fez presente.
Precisei de tempo para comprender os desígnios que os céus pretendem com seus diversos nomes e as mais variadas faces. Mas era ela. Hoje eu sei.

Foi a primeira imagem conhecida que me apareceu: ao abrir os olhos estava lá.
Alimentou-me, ensinou-me a andar, falar, cantar.
Fez-me perceber o valor de um abraço, de um elogio e do afeto.
Pôs-me em seu colo e mexeu em meus cabelos até que eu adormecesse.

Depois, me vestiu de anjo e me fez cantar as mais singelas canções de mãe.
A primeira imagem de santidade que me lembro é dela: de manto azul e véu branco, pisando sobre as serpentes e estendendo as mãos abertas derramando graças.
Graça: foi esse um dos nomes como se apresentou.
Ensinou-me a rezar, a conhecer e querer participar da vida de seu filho a tal ponto de não conseguir mais me afastar.
Catequizou-me. Fez-me cantar.
Chamava-se Maria escondida em Luciana. Mas era ela. Hoje eu sei.
Acolhia-me com um abraço terno de tia, de avó. Com bondade e generosidade fez-se presente de forma simples. Sempre. Chamava-se Maria.

Entregou-se pra mim através de um presente: pequenina e dourada.
Já não era mais criança, não cabia mais no colo. Por isso ela se colocou em meu pescoço para me acompanhar.
Não tive a capacidade, na época, de entender o fato. Hoje, sei que era ela.
Mais tarde me fez companhia, conversando comigo e me acalmando quando o desespero me arrebatava.
Enxugou minhas lágrimas e me protegeu.
Ouvia meus lamentos e pedidos e concedia a tranquilidade ao meu coração.
Atendia pelo nome de Aparecida e Fátima. Olhava pra mim com muito carinho e me atendia sempre. Como toda mãe faz.

Colocou-se de novo em meu caminho: tropecei e percebi que ela estava lá, prateada e perdida na calçada.
Recolhi a imagem e guardei comigo.
Era ela. A mesma figura santa da minha infância, a mesma imagem dourada da adolescência, o mesmo desenho de mãos espargindo bênçãos.
Era seu dia. Também não sabia. A comemoração era dela e se fez de novo em presente pra mim.
Acompanha-me em todos os lugares. Sempre a levo comigo.
Cobre-me com seu manto e me pôe em seu colo muitas vezes, me fazendo adormecer.
Hoje eu sei. Era ela. Sempre foi.

Como me vejo

Eu sou assim:
Choro fácil, riso solto...
Labilidade emocional que se equilibra numa linha tênue de normalidade.
Pessoa de trato fácil, convívio bem-sucedido, serenidade constante...Ou quase.
Capaz de rompantes e de momentos de descontrole: Agonia Galopante.
Extremada: Quente ou frio; Tudo ou nada; Oito ou oitenta; Preto ou branco.
Meio termo só pra conjecturas...
Ainda criança. Não sei se cresci.
Raciocínio rápido. Lógica? Nenhuma.
Coração incompetente: ama demais.
Amor a música: quisera ser uma clave de sol!
Amor ao sol: quisera ser um raio de luz!
Apetite reduzido. Fome de criatividade.
Mau-humor engraçado. Comentários indizíveis...
Caras e caretas: Ironia sempre viva.
Um passarinho cantarolando logo de manhã.
Uma oração pra começar e pra terminar o dia.
Ouvidos atentos, memória infalível (nem sempre é bom se lembrar de tudo).
Preguiçosa. Ciumenta. Orgulhosa.
Amor a natureza: Viva as flores e as pessoas. Mas os bichos...que fiquem longe!
Gosto de boa conversa. Se for papo-furado... assunto encerrado!
Odeio fofocas. Abomino mentiras. Viva a verdade!
Viva a liberdade de expressão. Com respeito, é claro.
Tenho planos e projetos. Que insistem em seguir o próprio curso sem meu consentimento...
O acaso me adora. A vida me prega muitas peças.Tenho uma estrela na testa...
Espero pacientemente: Deus reserva coisas boas pra mim, eu sei.
Confio apenas n’Ele. Em mais ninguém.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Rima

Sempre fomos diferentes.
As amizades, quase sempre as mesmas, apesar da idade não ser igual.
Ela gostava de bola e de jogos de tabuleiro.
Eu vivia cercada de bonecas , badulaques e maquiagem.
Eu gostava de verde. Ela de amarelo. Èramos a dupla patriótica!
Brincávamos juntas, mas no final tinha briga.
A gente se amava, mas precisava se estapear de vez em quando pra manter o amor vivo.
Mais inteligente que eu, mais bonita que eu, mais esperta e mais talentosa.
Nunca tive inveja ou ciúmes.
Tive sempre muito orgulho.
Ficava feliz quando me comparavam com ela ou quando confundiam nossos nomes ou pensavam que éramos gêmeas...
Sentia-me tão bonita, inteligente e talentosa quanto.
Queria que o meu cabelo fosse igual ao dela e que me transformasse numa adolescente tão desejada como ela.
Herdava suas roupas e suas bonecas e queria que minha letra fosse tão bem desenhada como a dela.
Minhas notas na escola tinham que manter alto padrão porque o meu modelo de comparação sem pre foi muito elevado: ela.
Dividimos quarto, roupas, sapatos, cds, bolsas, pai, mãe e irmão.
Além disso, dividimos ainda surras, brigas e saídas, porque sem sua companhia, provavelmente ficaria em casa.
Fomos crescendo e ficando mais unidas, mais amigas.
As brigas de antes tornavam-se cada vez menos frequentes e a gente começou a aproveitar melhor os momentos juntas, fosse cantando, vendo tv, ouvindo música ou lendo jornal.
O tempo foi passando e a diferença foi mantida: continuamos antagônicas, apesar de tão próximas.
Mas descobrimos que é a diversidade que nos completa.
Não me imagino sem o telefonema que me desperta quase todos os dias com a frase: "Bom-dia, flor-do-dia!"
Também não consigo imaginar minha vida sem seu exemplo pra me espelhar.
Ela sabe o quanto é amada e o quanto é importante pra mim.
Faço questão de que seja demonstrado em muitos momentos, porque sei que são estas lembranças que guardamos conosco pro resto da vida.
Minha irmã é meu exemplo. Sempre foi.
Que seu caráter a sua boa índole sejam também os meus.
Que a alegria de seu filho e de sua família seja também a minha.
Que sua vida seja próspera e feliz -sempre- porque minha felicidade só será completa se a dela também for.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Eu

Sempre percebi a diferença que trazia comigo.
O encaixe nunca foi perfeito.
O filho do meio, diferente dos outros extremos;
Não parecido com o pai e nem com a mãe;
Não pertencente á família de nenhum dos lados.
Sem afinidade, sem assuntos em comum.
Amigos de idade diferente, gosto e costumes não condizentes á minha época.
Séria demais para ser divertida.
Nova demais para tanta responsabilidade.
Boa demais pra errar.
Certa demais pra se irritar ou se rebelar.
Sempre disposta: a um favor, a um pedido.
Sempre sozinha, em qualquer época do ano.
Mesmo acompanhada, sempre sozinha, de alma vazia.
Sempre soube que não fazia parte deste mundo: não poderia mesmo fazer parte de tanta tristeza, tragédia e injustiças.
Não sou injusta. Nunca fui. E não concordo com tanta atrocidade que observo e assisto.
Nunca me senti completa. Falta alguma coisa.
Falta o elo de ligação com o mundo.
Eu não sou daqui. Sei disso.
Mas ainda não descobri de onde eu vim.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Retorno

Fim das férias e volta á labuta!
Mais uma vez a vida segue por caminhos incompreensíveis.
Grito de um lado, me responde o silêncio de outro.
E ainda acredito que a falta de resposta já é uma resposta.
Nova proposta, outros projetos.
Em breve outro vento de mudança.
Não sei pra onde.
Insisto em coisas impossíveis, acredito no improvável, esqueço que quase sempre não controlamos o destino.
Destino?
Não sei nem se existe de verdade. Juro!
Às vezes acho que caminhamos sem rumo, porque não existe destino.
Por isso nos perdemos e nunca mais nos encontramos.
Continuo gritando, a espera de respostas.
E mudo de rota cada vez que percebo que não era bem assim que eu queria passear.
Um dia acerto: páro de inventar férias, desisto de alguns planos, esqueço algumas pessoas e finjo fazer parte deste mundo.
A verdade é que eu não sou daqui... Tento me camuflar entre os mortais.
Mais a falta de destino só comprova que o meu caminho é fora desta rota.