terça-feira, 20 de junho de 2023

Outras histórias

Entre protocolos e fluxogramas, lembrei disso aqui.

Leio os textos e não os reconheço como meus.

Como pode?

Não sei quem fui quando os escrevi. 

Nem sei quem sou agora, depois de tanto tempo.

As histórias eu invento. E  já inventei um monte delas.

Todos os dias.

Nem sei como consigo. 

Mas está lá, na cabeça da criatura que me pede diariamente um monte delas, com temas específicos e desfechos inusitados.

Melhor inventar histórias que protocolos e fluxogramas.

Algoritmos desnecessários para os poucos anos.

Porque crescer leva embora a inocência.

E a vontade de inventar novas histórias.

Como os textos de agora, que não são mais meus.

São de alguém que viveu outras fábulas e se perdeu no caminho.

Ou se encontrou num outro poema, escrito por outro alguém.

João e Maria em busca da casa de doces.

Sou eu procurando as palavras.

Sou eu fazendo meus protocolos para em seguida, seguir outra rota.

Outras histórias. 

Outros textos não mais meus.

O miolo de pão perdido no caminho da floresta.



Tempo

Faz muito tempo, né?

Uma pandemia de intervalo.

Dora chegou, passou um caminhão de novidades em nossas vidas e eu retorno aqui, para exercitar a escrita, um tanto já enferrujada.

Outra barriga gigante já surgiu, outra pessoa chegando em nossas vidas.

Um tanto de vida nova outra vez.

Seguimos nos reinventando.

Ajustando os ponteiros, aparando as arestas, unindo os pontos... os bordados de viver.

Faz muito tempo, né?

Ando com vontade de me reinventar.

Além daquilo que já me transformei.

Daqui a pouco faço nova pausa para um novo momento de vida.

Já nem sei quem serei depois dele.

A gente muda o tempo todo. Já falei isso também, né?

É tudo reinício.

A vida é um constante começar de novo.

O tempo nem faz conta disso. 

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Carta para o Filhote

Ei, filhote!
Espero que esteja tubo bem aí dentro da barriga.
Mamãe está bem aqui do lado de fora e seguimos juntos.
O mundo é que anda meio torto...
Jamais imaginaria que passaríamos por uma pandemia.
Acho que nem nos pensamentos mais remotos essa ideia surgiria.
Mas como mamãe vai ensinar, não temos muito controle das situações e das pessoas.
Algumas pessoas são difíceis de lidar, outras são impossíveis.
Outras situações nos consomem a paciência ou esgotam nossas possibilidades de resolução.
Se mamãe pudesse resolver tudo na base da varinha de condão, certeza de que estaria tudo certo já.
Seguimos administrando o caos.
A última ultrassonografia foi remarcada e faz um tempinho que não vejo você.
Mas para compensar, já sinto você passeando e mexendo no espaço que tem aí dentro e isso é muito bom.
Vamos torcendo e rezando para que a nova normalidade se instale.
Porque a antiga, certamente não existirá mais.
A barriga está crescendo e tenho mandado fotos e vídeos para vovô e vovó, os Tios e o primos.
Por enquanto, você tem aparecido  discretamente na barriga, apenas em redes sociais.
Aparições em público estão cada vez mais raras.
Tenho tentado proteger você de todo jeito: a vacina de gripe já foi e falta só mais uma agora.
Tenho saído de máscara apenas nas consultas e exames, ou quando é realmente necessário, feito alguma atividade física e comendo de forma mais saudável possível.
Papai tem se esforçado bastante também.
Ainda não sabemos seu nome, nem seu sexo.
Estamos mais preocupados com sua saúde e crescimento.
O resto, daremos jeito.
A reforma da casa nova está  meio agarrada e papai fica um pouco nervoso.
Ele queria que já estivéssemos todos lá.
Estamos aguardando as cenas dos próximos capítulos (novela longa, viu?).
Esperamos em breve estar lá para montar seu quartinho.
Por enquanto, fica quietinho aí ganhando peso e saúde. Não temos pressa.
Beijos da Mamãe.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Alô, alô, Marciano?!

"Aqui, quem fala é da Terra...
Pra variar, estamos em guerra.
Você não imagina a loucura!"

Já ouviu essa antes, né?

Pois, sim.
Estou aqui no sofá escrevendo,
esperando sol se por e o calor dissipar
para começar meus exercícios físicos.
Estamos de quarentena, todos ( ou quase todos)
trancados em casa. 
O mundo todo.
Não tem academia, nem parque aberto, 
nem Shopping, nem loja, nem escola.
Quem pode trabalha de casa, quem não pode passa dificuldade.
O dinheiro anda curto para todos.
"Quem tem mais é chamado a repartir".
Há países inteiros parados, hospitais lotados
e uma lista de números de doentes e óbitos 
que deixa qualquer filme de terror "no chinelo".

Amanheci 2020 sendo casa de outra pessoa

e por isso, ando reclusa e trabalhando de longe.
Não sei se é hormônio, se é intuição materna, 
se é instinto de preservação de espécie.
Só sei que depois que a gente vira casa, 
a pessoa que mora dentro da gente passa a mandar no resto...
Nem faz muita questão da si mesmo, sabe?
Só pensa no outro. Enfim.
Sigo comendo e assistindo noticiários
mais tristes que a tristeza do mundo inteiro.
Tomando susto a cada mexida inesperada
que ainda não me acostumei a sentir...

E pensar que o caos instalado 

foi causado por um bichinho microscópico,
que precisa de uma célula para viver, 
mas que tem seguido de mão em mão, 
de espirro em espirro, 
de abraço em abraço,
de continente em continente,
do Oriente para o Ocidente 
destruindo economias gigantes, 
fazendo vítimas,
fazendo todo o mundo passar perrengue e se questionar: 
Como será ali adiante?

Os políticos seguem se estapeando.

Quem puder tirar vantagem da crise, com certeza, vai se fartar.
Índole e caráter não são para todos... 
Vírus são mais democráticos.
Sigo esperando o foguete da Nasa.
Levando todos para a lua ou Marte.
Seria um rolê bacana no momento.
Teria que poder levar grávidas, para valer o ingresso.
Com volta agendada antes do Armagedon ou do parto.
O que vier primeiro.
Vale repetir que "a crise tá virando zona".
"Cada um por si todo mundo na lona
E lá se foi a mordomia..."

Cada um que limpe sua casa, 
que ensine seus filhos, 
que segure seus velhos em casa,
que prepare sua comida ou peça Delivery
pra ajudar o comerciante 
que segura as portas abertas no muque.
Quem tem religião que a use, 
quem tem fé que se segure.
Quem não tem, se conforte na ciência.
Ou em qualquer outro assunto 
que mude o foco e apazigue o medo.
Só sei que "está cada vez mais down" o " high society".

sábado, 23 de novembro de 2019

Minha visão de Fé

Acho que a FÉ é uma porta gigante.
Dessas portas imensas como as de um palácio mesmo, que assistimos em filmes.
Por essa porta grande passam muitas RELIGIÕES.
Eu acredito que todas as RELIGIÕES passam pela porta da FÉ.
Se não cruzarem por ela, não podem ser consideradas religião.
Acredito ainda que toda RELIGIÃO zela pelo BEM.
Seja o BEM de si mesmo, da própria família, dos amigos e parentes mais próximos, 
pelo bem da nossa casa, da casa dos outros, pelo bem de quem a gente nem mesmo conhece...enfim, pelo bem da humanidade.
Porque eu penso que quem tem FÉ e QUALQUER religião não deseja o mal...de ninguém.
Por esta porta gigante passam muitas, muitas pessoas de uma só vez.
E enquanto esta porta estiver aberta, todos passam.
Acredito ainda que, mesmo sem ter uma religião oficial, mas tendo a FÉ, a entrada no Palácio continua sendo gratuita.
Dentro do palácio há vários aposentos. Todos podem se acomodar sem medo.
Eu penso no Palácio como o coração de DEUS.
Todos que tem FÉ são convidados a entrar no Palácio e escolher o seu cantinho e se aconchegar.
Como PAI bondoso que acolhe os filhos em casa, DEUS nos recebe em seu coração.
Para ele não importa se a nossa roupa é nova ou velha, se o cabelo é liso ou encaracolado, se tem dinheiro no bolso ou  nenhum tostão, se existe cor para a pele, sem tem esposa, marido ou namorada, se tem pecado pendurado ou não. DEUS ACOLHE os que o procuram.
E como todo PAI, está sempre esperando com a PORTA aberta.
Pois todo PAI deseja ter seus filhos por perto.
Se somos irmãos sem CRISTO, por termos DEUS como PAI, devemos assim nos comportar.
E se outras religiões que não reconhecem DEUS e CRISTO fazem parte da vida de outras pessoas, também devemos respeitar, pois passamos todos pela porta da FÉ e zelamos pelo BEM dos outros, não é mesmo?
Acredito que podemos morar no Palácio todos juntos. Há espaço para todos.
A vista é linda. A decoração mais ainda. O anfitrião é perfeito.
Minha visão de FÉ e AMOR é esta.
Qual é a sua?

Dia desses

Dia desses quis muito escrever um livro.
Uma história fictícia que fosse, que enredasse o leitor, 
que aguçasse a curiosidade e provocasse sentimentos, 
fizesse querer ir até a última página para saber como é o fim e, 
depois de descoberto, ficasse aquela solidão desesperada da orfandade do livro.

Acho que um dia ainda escrevo.
Posso começar devagar, com ideias pequenas e ir crescendo aos poucos.
Posso começar como as crianças, que aprendem um muito num tempo escasso, 
mas sem qualquer pretensão de aprender.
Posso usar as histórias que escuto como inspiração e ir mudando o rumo de acordo com meu prazer.
Posso inventar personagens, pessoas que não existem, inventar nomes e viver vidas que não me pertencem.
Posso criar famílias inteiras e gerenciar conflitos e fazer final feliz sempre que me der vontade.

Dia desses, escrevo um livro.
Vou passar pros amigos mais próximos para que eles comecem a leitura e avaliem a história.
Posso fazer uma versão interativa para quem também quiser participar do livro comigo. Por que não?
Dia desses escrevo um... Vai vendo...ou melhor, lendo.
Vou pesquisar fontes e palavras novas, mergulhar em dicionários e costumes, vai ser lindo poder viver isso!

Dia desses, esse livro fica pronto.
Pode ser livro de crônicas ou de contos.
Livro infantil, ficção ou relatos reais.
E tem mais: vou divulgar meu livro pro mundo!
Quem sabe em outros idiomas?
Quero ilustrações do meu irmão na capa e nas paginas que separam os capítulos. 
Como será bonito!
Dia desses faço meu livro nascer, como um filho.
Começo gestando a ideia.


Novembro

Estamos aqui, mês da véspera do mês do fim.
Novembro escapa entre os dedos e já nem sei mais como todo o resto passou tão rápido.
Eu vivi tudo isso ou adormeci em alguma parte do caminho e acordei só agora?
Numa velocidade indecente levamos o ano ao fim.
Mas como foi isso, gente? 
Ainda ontem era janeiro, março estava tão aqui na lembrança e setembro acabou de acabar!
Como foi que aconteceu? Fiquei tonta! Alguém me conta?
Só me dei conta que os enfeites de Natal já andam espalhados pela lojas e fachadas...
Estou aqui contando os dias para o ano que vem e ainda nem entendi o que foi esse furacão que passou...
Graças? Inúmeras.
Bênçãos? Muitas.
Também teve trabalho, treta, correria, mais trabalho e pequenas e doloridas angustias que servem para crescer.
O tempo trapaceia.
O tempo manda lembranças.
Nem alcanço essa lógica da fugacidade.
Mas estou aqui na contagem.
Achando que vai dar tempo de terminar os contratos, acabar a obra, finalizar os projetos e refazer os planos para...o ano que vem (?) que está logo ali na esquina, tomando a saideira no boteco, se preparando para dar o ar da graça... daqui a pouco.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

A lama

Embora brilhe o sol, segue a lama.
São dias difíceis.
Questiono o que faz alguém trocar a escala do plantão (e ir trabalhar no dia de folga), 
receber um telefonema que muda os planos do dia (e da vida), 
decidir passar férias no mato ( e nunca mais voltar) ou reunir a família numa viagem e no último minuto, inverter a rota ( e sobreviver).
Onde estão nossas escolhas de fato?
Podemos modificar o fim?
São tragédias ou sucessões de falhas?
São acúmulos de erros tolos ou negligências?
Temos nosso destino nas mãos ou apenas esperamos nossa vez na fila da vida (ou seria da morte?), sem saber em qual colocação estamos?
Nem imagino as respostas.
Penso apenas que o que deve ser falado não pode esperar.
E que os abraços precisam ser dados.
Que os afetos precisam ser espalhados e acolhidos, nunca rejeitados.
E que o tempo que nos sobra é o hoje e o agora e nada além disso faz sentido.
A lama também é doença, acidentes, assaltos, brigas, é morte e dor, como numa avalanche.
Ficam soterrados apenas os remorsos, as palavras não ditas, o perdão não concedido, o amor não divulgado, a mensagem não enviada, os amores não vividos e as lembranças estraçalhadas.
Amemos pois. Amenos mais. 
Mesmo nas diferenças e apesar de discordâncias.
Não sabemos quanto tempo nos sobra.
Aproveitemos a luz que nos resta.



domingo, 8 de julho de 2018

Tem Copa

Ainda tem Copa.
Embora nosso time não tenha permanecido na competição, o jogo segue.
Então, escolheremos um outro time pra torcer, 
seja por simpatia ou mesmo pela rejeição extrema por algum outro.
Mas torceremos. Não com a mesma empolgação, é verdade. 
Mas vibraremos mais comedidos, acreditaremos no resultado, mesmo que a nossa torcida não seja assim tão fervorosa.
Vibraremos com a vitória de um outro time simpatizante ou sofreremos com a derrota daquele que escolheremos como segunda opção.
Deveria ser assim em outros setores da vida também.
Se o candidato escolhido perdeu, o jeito é torcer pra outro dar certo.
Se o partido não foi eleito, torcer para que na próxima eleição dê certo.
Torcer pro namorado atual levar a Taça e esquecer o namoro antigo, por exemplo.
Já que o planejamento deu errado, pensar num projeto seguinte.
Se o problema não foi solucionado, passar pro problema seguinte ou testar soluções novas.
Bola pra frente.
Ficar remoendo derrotas não leva ninguém a lugar algum.
O jogo segue.
Bem ligeiro.
Daqui a pouco estamos em nova final.
Escolheu onde vai torcer pelo seu segundo favorito?
Bora viver.



segunda-feira, 14 de maio de 2018

Mais ou menos?

Mais uma segunda-feira.
Ou menos uma segunda?
O tempo passa tão rápido
Que não sei se faço a conta 
pra mais ou pra menos.
Com tantas tarefas diárias
O dia voa, a tarde some.
A lista de afazeres aumenta
E consome o resto das horas que faltam.
Mais um dia? Menos um dia?
Como resolver a equação do tempo?
Quanto mais se deseja,
Menos se tem.
Quanto mais tarefas, 
Menos tempo livre.
Quanto mais se dorme, 
Mais sono se tem.
Quanto mais tempo houver,
Menos tempo haverá.
Faça as contas quem souber.
Da segunda, sobram minutos.
Que daqui a pouco, não restarão mais.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

De Dezembro

Posso até estar errada.
Mas geralmente, não me engano.
Só não faço muitos planos,
Pois eles podem querer fugir...
Mas creio que está tudo certo,
Como nunca esteve antes.
Sem peso, sem dívidas ou cobranças,
Com uma distância bem no centro,
Cheia das lembranças.
Eu saberia quando fosse, de fato.
Sempre soube que saberia...
E agora, que sei, respiro mais calma.
Aliviada.
Não tem procura que não termine,
Nem busca que nunca chegue ao fim.
Paciência, menina... Só tenha.
Posso até estar errada,
Mas, lá no fundo, eu sei que não.
Ando mais feliz agora, 
Não me engano, nem disfarço.
Posso até estar errada...
Tem sido um erro bom então.

domingo, 26 de novembro de 2017

Alegriazinha

É uma alegria genuína.
Nem sei como explicar.
Dessas assim, leves, 
sem forma definida,
que brincam ao vento...
Alegria frágil, mas persistente.
Dessas de sol depois de chuva,
ou de chuva fresca depois de um dia de forte calor.
Nem cabe explicação.
É alegria miúda, simples,
de cama com forro cheiroso,
de descanso merecido após dia de trabalho duro,
de massagem no pé, 
de cheiro no cangote,
dessas de abraço apertado de saudade.
Alegria menina, 
de passeio de bicicleta, 
de beijo roubado,
de pipoca e cinema, 
de boa companhia,
de  diminutivo carinhoso.
É Alegriazinha.

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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Terezinha de Jesus

Terezinha de Jesus, de uma queda, foi ao chão.
Nem deu tempo de algum cavaleiro acudir, dar a mão.
O coração de Tereza pausou.
Uma perda inesperada, uma queda não programada,
Que num susto foi levada, sem tempo de despedir.
Terezinha tão alegre, tão cheia de festas em si
Não suportaria ver a vida passar por ela sem sorrir.
Por isso creio que ela foi chamada ás pressas.
Para não ter tempo de fugir.
Ela, alegre e destemida,  jamais deixaria esta vida,
se recusaria a partir.
Então, que de repente, ninguém sabe o por quê,
a vida segue simplesmente, como há de sempre ser.
Pois Terezinha era dessas, que lutava sem reclamar.
Rindo e se divertindo, mesmo quando parecia não dar.
Acho que o céu fez festa pra ela, assim que chegou por lá.
Aqui ficamos mais tristes pela ausência que há.
Terezinha, virou estrela, brilha distante agora.
E nós, ainda perplexos, nos perguntamos: por que foi embora?
Abraços e beijos, Tia! Que seja festa no céu.
Saudades dos que aqui ficam, saudades de todos os seus.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Ei! Olhe pro lado!

Ei! Olhe pro lado!
Deixe esse celular só um pouquinho.
Repare nas pessoas que circulam perto de você.
Dê Bom dia, responda ao Boa tarde, compartilhe um Boa Noite.
Veja se quem trabalha com você realmente está bem e não apenas respondendo compulsoriamente a pergunta que a gente faz por fazer e nem se importa realmente com a resposta ("tudo bem?").
Olhe no olho quando conversar com alguém.
Dispense atenção, por alguns minutos apenas, quando estiver com os seus.
Elogie sinceramente. Dê um sorriso amistoso.
Abrace quando sentir vontade e se policie para que a vontade exista.
Olhe pro seu lado.
Repare em quem está ao seu redor.
Teste sua capacidade de filtrar tristezas, alegrias e tantos sentimentos 
que as pessoas escondem e que só com muita sensibilidade se é capaz de perceber.
Seja humano.  Só um pouquinho, vai? 
Ponha-se no lugar do outro... Pergunte-se sempre: e se fosse comigo?
Deixe o celular de lado, só por uns instantes e observe o mundo.
Tem um tanto de gente precisando e merecendo um olhar que seja.
Visite seu amigo. Pergunte com sinceridade se precisa de alguma ajuda.
Disponibilize um pouco do seu tempo para alguém.
O mundo anda carente de cuidado, de atenção.
Muitas tragédias poderiam ser evitadas se um olhar mais atento tivesse sido dispensado...
Um conselho, um ouvido, um abraço, um afago podem sim mudar o destino de alguém.
Olhe pro lado agora e veja na vida de quem você pode fazer a diferença.
Só por um instante, saia da bolha, enxergue por dentro.
Tem muita gente precisando ser vista e enxergada.
Há milhares de pessoas tramando vinganças, premeditando mortes, se perdendo num surto... Talvez um olhar mais atencioso perceba isso, antes que o pior aconteça.
O tamanho do sofrimento só pode ser calculado por quem o vive. 
Não cabe a ninguém de fora tentar dimensionar. Cada um sabe da sua dor.
Apenas olhe pro lado e enxergue. Sem telas, sem filtros, sem fotos.
Precisamos de uma dose de maior de humanidade para consertar a realidade.
Por um mundo melhor pra você mesmo.

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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Ao médico, de coração.


Meu irmão, certa vez, me perguntou se eu só tinha amigos médicos.
Respondi que a maioria era sim. Mas existia ainda gente normal ocupando algumas vagas de amizades...
A maior parte das minhas amizades veio da medicina. 
A explicação é simples: num curso integral por 6 anos, residência com 60h semanais por mais 3, cerceada por colegas de profissão, fica até difícil encontrar tempo fora do ambiente de trabalho para outras amizades. Existe, mas com o tempo escasso, se torna mais fácil ter por perto, fora do hospital, quem já vive lá com você.
Tenho, na verdade, muita sorte.
Convivi com gente tão incrível, que antes de medicina ou qualquer profissão que fosse, eram pessoas da melhor qualidade. 
Foi então que eu entendi que não é só estudar, aprender e atualizar que faz o médico ser melhor.
A essência da pessoa que veste o jaleco torna a função especialmente mágica.
Gente de um coração imenso e de uma generosidade infinita, que me faz ter orgulho da amizade.
Pessoas de tão boa índole, de caráter ilibado, de conhecimento inquestionável que me faz ter respeito pela profissão que compartilho.
Pessoas nas quais me espelho e me inspiro, todos os dias.
Amizades que me enchem de alegria e felicidade.
Gente que vou levar no peito como amuleto, como abrigo na vida e como conforto na dificuldade.
Que além da medicina carrega tantos outros valores, tão nobres quanto ela, e a exercem da forma mais pura e genuína possível.
Hoje, desejo Feliz Dia aos meus amigos queridos, que dividem comigo as mesma angústias e tristezas que a profissão concede junto com o alívio e o conforto, alegria e desprendimento.
A medicina tem dessas coisas. Nunca é simples, sempre bela. 
Egoísta como só ela sabe ser, mas aproxima aqueles que a amam. De coração.

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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Vamos brincar?



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Não faço apologia a ideologia de gênero.
Mas também não acho que existam brinquedos específicos pra meninos ou meninas.
O que há mesmo são brinquedos. 
E as crianças podem brincar com eles da forma como bem entenderem.
Brinquei de bonecas porque as recebi de presente. Mas tenho certeza de que brincaria com qualquer outro brinquedo que me fosse dado... Inclusive com o que não era brinquedo (pregadores, lápis de cor, latas de conserva e mantimentos... enfim, o que a imaginação deixasse).
Brinquei também com bolinha de gude, de futebol e vôlei  com meu irmão, com os bonecos do "Comandos em Ação" que meu irmão tinha, com o Batman e o Jiraya dele também. 
Fingia que dirigia um carro no sofá usando de volante um suporte de panelas e de marcha um pino de boliche.
Fingia que cozinhava com comida de verdade, com frutas que achava no quintal, fazia bolo de barro e enfeitava com plantinhas. 
Brincava com as minhocas das goiabas numa corrida de distância no tanque e com as minhocas do jardim também.
Brincava de queimada, pique-esconde e pique-alto, pique-bandeira, Boca-de-forno, vivo ou morto, o Chefe mandou, karaokê, desfile de moda, balanço no quintal, "adedanha" (a gente falava assim mesmo), Barbie, leggo, Playmobil, quebra-cabeças,  pulava cordas e elástico.
Em  nenhum momento me foi dito que não poderia dirigir meu carro imaginário no sofá ou brincar com os bonequinhos que meu irmão tinha. 
Nunca ganhei esses presentes ditos masculinos, porque há 30 anos, as pessoas pensavam que as meninas deveriam receber apenas alguns tipos de brinquedos e os meninos a outra parte do que sobrava de opções.
Acredito que brincar foi o que realmente definiu minha infância e me fez crescer mentalmente saudável. O tipo de brinquedo foi apenas um detalhe.
Criança não vê diferença entre o azul e o rosa. Quem ensina a diferença é o adulto.
Criança não vê maldade no nu. Quem erotiza a imagem é o adulto.
Criança não vê diferença em cor de pele, nível social, tipo de cabelo ou religião.
Criança apenas brinca.
Quem ensina todas essas diferença e ensina a discriminar são os adultos.
Creio que a função de educar é muito difícil, principalmente num mundo onde as pessoa PRECISAM ditar o que é certo e errado na vida dos outros.
Cada um tem o direito de escolher para si ou para seus filhos o que achar prudente, necessário e saudável. Só acho que querer para a vida do outro o que deseja pra si é no mínimo doentio.
Cada um tem o direito de opinar, como eu faço agora nesse texto. Mas ninguém é obrigado a concordar comigo ou a gostar do que eu escrevo. Mas também não dá para querer que eu pense diferente, né?
Trabalho com criança TODOS os dias. Só vejo pureza.
TODOS os desvios de conduta, caráter e inclusive, algumas doenças, são originalmente provenientes de adultos. Pais e mãe, cuidadores que, por motivos diversos, induzem o comportamento de discriminação, de pecado e julgamento.
Criança é esponja e absorve. O certo e o errado.
Crianças que brincam  de verdade são emocionalmente mais seguras, aprendem a compartilhar e conviver, exercitam a criatividade e se transformam em adultos independentes.
Controle o tablet, os jogos eletrônicos, celulares, TV, e principalmente, o conteúdo veiculado através deles. Não controle os brinquedos nem as brincadeiras.
Meninas serão mulheres que vão dirigir carros, por vezes, vão trocar pneus, serão engenheiras, médicas, jornalistas, empresárias... Por que limitar as brincadeiras? Meninos serão pais, cuidarão dos filhos (espero) nas trocas de fralda, alimentação e banho, serão chefes de culinária, desenhistas... por que limitar as brincadeiras?
Ninguém opta pela escolha sexual apenas pela cor da roupa que usa ou dos brinquedos que brinca.
Isso vai muito além e é tema de outro texto, bem maior que este.
Acho que falta deixar a criança viver a infância como se deve.
Os adultos não estão deixando.

domingo, 17 de setembro de 2017

Já se perguntou?

Semana difícil. Mais que as demais...
Notícias ruins na mídia, em redes sociais, com amigos.
O pensamento foi longe, a concentração fugiu e o coração ficou espatifado.
Tem sido uma batalha diária entender o rumo do mundo.
E confesso que ando sem norte.
Tanta violência gratuita, falta completa de empatia, retorno de movimentos racistas, nazistas, fascistas, anti-imigrantes... e me questiono: Onde vamos chegar? 
Qual será o desfecho dessa triste trajetória?
Quanta vale uma vida? Um carro? Um celular?
Quanto vale uma família? Um tênis? Cem reais? Uma herança?
Quanto vale seu trabalho? Sua vida? Sua família?
Quanto vale sua cor? Uma vaga? Um emprego?
Quanto vale sua opção sexual?  Uma amizade? Ser aceito?
Quanto custa ser honesto? Sua consciência? Seu trabalho? 
Quanto vale seu dinheiro? Seu pão? Seu caráter?
Quais os valores que realmente importam? Seu corpo? Sua aparência? Sua essência?
O que você deseja pra si é o mesmo que você deseja para o próximo?
E quem é o seu próximo? Já se perguntou?
O que você deseja para seus filhos é o mesmo que você deseja para os filhos de seus vizinhos e amigos?
Parece impossível, mas funciona de forma excepcionalmente fácil: fazer para o outro o que gostaria que fosse feito a você. E o contrário também é verdadeiro: não fazer para o outro o que não gostaria que fosse feito a você. Simples assim.
Não precisa de fortuna, inteligência acima da média ou fluência em outro idioma.
Colocar-se no lugar do outro e tentar sentir e experimentar o que ele vive. Só.
Minhas orações agora são por justiça e empatia, tolerância e piedade.
Rezo pelo mundo doente em que vivemos e pelas pessoas intolerantes que o povoam.
Se somos feitos á imagem e semelhança de Deus há de existir algo de divino em nós.
Deve estar escondido, sufocado pela busca incessante de mais, mais e mais para preencher o vazio imenso que a vida se transformou... 
Mas ainda acredito que vale a procura.
O maior tesouro se encontra onde deixamos nosso coração.
A riqueza está naquilo que não se mede valor.
A importância existe naquilo que preenche a alma, o espírito.
Agora, onde mora seu coração? 
O que tem mais valor na sua vida?
O que espera do seu futuro?
Já se perguntou?



quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A Lei do Retorno

Sabe aquela sensação boa de limite físico superado? Nunca tive. De verdade.
Sabe aquela sensação de bem estar pela liberação de endorfina após atividade física intensa? Nunca rolou. Só com chocolate.
Sempre achei sacal exercício físico exaustivo. 
Era o fim do mundo pra mim sentir o fôlego indo embora e aquela dor esquisita no quadrante inferior do abdome durante a corrida,  dando sinal de que não daria pra continuar,  ou aquele pedido de socorro "pelamordedeus não vou aguentar mais" com o coração na boca... 
Enfim, a atividade física era um tormento. Sempre foi.
O talento pro esporte nunca existiu.  Foi e é zero.
Era a última a ser escolhida na escalação dos times.
Nas corridas, andava, sempre que podia... 
Fazia corpo mole na quadra, fingia amizade com a professora de educação física pra conseguir ser liberada das atividades...  E por isso, a menor nota do boletim escolar era  sempre dela... 
Tentava levar todo mundo na conversa pra conseguir fugir da atividade física...
Eu era da turma do papel crepom e da purpurina.
Tinha jogo interclasses? Precisava de mural, enfeites na quadra, fazer pompom pra torcida? 
Era a primeira candidata. Amava a ornamentação! Fazia com prazer! 
Precisava de alguém pra leitura? Cantar o hino? Fazer teatro, apresentação de dança, jogral, desfile? Ia feliz da vida! Sem sofrer.
Mas quando o assunto era fazer parte de alguma equipe, de algum time, era um castigo! 
Só consegui encontrar alguma graça nas atividades físicas que continham algo de lúdico: capoeira, dança, pilates... Mas não foram suficientes para sanar o que o corpo pedia...
Depois de anos afastada da academia, acabei voltando. Não por gosto, por necessidade mesmo.
A idade vai crescendo e uns ajustes se tornam urgentes, antes que não haja mais como consertar.
Então, a gente volta, mesmo sem querer, mesmo sem gostar, por obrigação, igual tratamento médico.
Compromisso é coisa séria: não falto, não burlo, mas reclamo e resmungo, que não sou de ferro... Dizer que gosto é contar mentira e, como só trabalho com verdades, não saberia fingir...
Não curto o clima, não entendo os aparelhos, me enrolo  até na roleta da entrada e na esteira (hehehe!)...  Acho as pessoas estranhas (embora elas também devam me achar esquisitona), tudo impessoal e superficial... Falta afinidade mesmo. 
Sou da turma do papel crepom! 
Gosto da miçanga e do canutilho, da purpurina e da cartolina! 
Da música, do canto e da dança, do livro, da janela, da praia e do sol quente na moleira! 
Do leite queimado, do chocolate quente, do bolinho de chuva, do bordado, da pintura, da viagem, da conversa fiada... Meu ritmo é outro!
Mas vou superando as adversidades diárias e perdendo menos o ar a cada treino. 
Se estou ficando forte? Com certeza! A força vem da resiliência. E a resiliência me dá força.
E sigo mantenho os olhos fixos nos benefícios que o que eu não gosto vai me proporcionar.
Complexo? Não muito. É a lei do retorno. 
Sabe as aulas de educação física que  eu fazia de tudo pra não participar? 
Não iria fugir eternamente, não é?  Chegou o momento de repor as escapadas. Tô aprendendo.




sexta-feira, 28 de julho de 2017

Sexta-feira

De tudo, um pouco.
Da semana inteira.
Caiu na sexta-feira.
O cansaço todo,
Da semana inteira,
Chegou na sexta-feira.
Do sono, do mosquito,
das picadas, da insônia,
do mojito, do agito,
das decepções, da infâmia.
Do preço, do piso,
do caro, da cura,
da espreita, da espera,
o que resta é a sexta.
Sem nexo, sem culpa,
a sexta sem sentido,
da chuva, do livro,
da falta do sorriso.
Não tem João nem Maria,
não tem quem alivia,
o gosto sem graça
da sexta sem nexo.
Que ardo em espera,
a semana toda,
pra ser assim,
desenxabida,
uma sexta cabisbaixa
e esmilinguida.
Sexta embaçada,
sem esperança,
sexta sem cor,
sem meta, sem brilho.
Sexta-feira,
sem brinde,
que o finde,
mais besta que possa,
é na sexta que começa.

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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Frestas

O mundo? Anda chato e absurdo.
Tento ver pelas frestas,
se é que me resta ainda algo pra olhar.
Pois se ligo a TV, entristeço.
As notícias me destroçam.
Mas mereço algo melhor!
Abro, então, a janela
e perco uns minutinhos,
só olhando os passarinhos
se equilibrando na fiação.
Minha atenção aumenta,
na gotinha que pinga,
vinda da chuva na janela.
E ela, deixa um vento frio entrar
e pelas frestas, me convida a descansar.

O mundo anda tão perigoso...
E nem me arrisco a descobrir o porquê.
Acho mais saudável enxergar outras metas.
De novo, observo pelas frestas.
E descubro uma nota nova,
uma música inédita,
uma outra voz que canta.
Se a coragem me alcança,
eu abro um livro e viajo.
Sem dinheiro, sem mala,
sem destino, sem medo.
Esqueço a hora e o tempo.
Penso de novo nas histórias todas,
algumas, assim  nem tão boas,
mas que de fato me fazem sonhar.

Se o mundo me dá medo?
Um temor absurdo!
Ás vezes finjo ser surdo
pra não ouvir o que ele tem pra contar.
Daí, me escondo e me encontro nas frestas,
nas amizades  que construí
e que me protegem de todo o mal.
Na devoção me valho,
na oração me calo,
no dia a dia me benzo.
Que os anjos me guardem dos portentos,
que o bem seja toda a cura.
Sigo nas frestas da bondade,
vendo em frações de tempo a vida que passa
diante dos nosso olhos incrédulos.
Mas o mundo continua chato e sisudo!
Só espero, confiante, que isso tudo mude
ou não demore muito a passar.


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